Média de mortes na capital passa de quatro por dia

No trimestre, homicídios cresceram 24,7% em comparação com o mesmo período de 2011; o número não inclui resistência seguida de morte nem latrocínio

Bruno Paes Manso e Rodrigo Burgarelli, de O Estado de S. Paulo,

25 Outubro 2012 | 22h25

SÃO PAULO - As ocorrências envolvendo policiais militares executados e as mortes suspeitas de civis contribuíram para que os homicídios crescessem 96% em setembro na capital em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 135 casos, mais de quatro ocorrências por dia, o maior valor mensal desde que a série começou a ser publicada, em janeiro do ano passado.

 

Casos de homicídios dolosos não contabilizam resistências seguidas de morte – quando a vítima é morta em confronto com a polícia – nem latrocínios – roubos seguidos de morte. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública.

 

Neste trimestre, os homicídios na capital cresceram 24,7%. A tendência de aumento de violência também se consolidou ao longo do ano: os 919 homicídios ocorridos nos nove primeiros meses ficaram 22,7% acima do total do mesmo período do ano passado. O crescimento teve início em março e, desde então, apenas em junho houve menos assassinatos.

 

"O principal aumento nos casos de homicídios ocorreu entre pessoas que não têm propensão ao crime, como homicidas passionais e aqueles que matam depois de brigar no trânsito ou dentro de casa", explicou o coronel Roberval Ferreira França, comandante-geral da PM.

 

Segundo França, dos 85 PMs mortos no ano, 5 morreram em setembro na capital. "Não é possível atribuir o aumento dos homicídios a um suposto embate entre policiais e facção, como a imprensa tem afirmado ", disse.

 

Zona sul. Como costuma ocorrer historicamente, a zona sul lidera o ranking de assassinatos em São Paulo. Juntos, Parque Santo Antônio, Jardim Herculano e Capão Redondo tiveram 118 ocorrências entre janeiro e setembro. Jaçanã, na zona norte, ficou na 4.ª posição, com 32 homicídios, um a mais do que o Campo Limpo, também na zona sul.

 

O repique nos casos de roubos seguidos de morte também foi grande. As 13 ocorrências em setembro na capital representam aumento de 225% ante setembro passado, com 4 casos. O crescimento dos latrocínios no trimestre na capital foi de 61% e o total chegou a 29 ocorrências.

 

A boa notícia nos dados da segurança é que os crimes contra o patrimônio diminuíram em setembro na capital, depois de uma série ininterrupta de crescimento. O roubo e furto de veículos caíram, juntos, 51,6%. Roubos em geral também diminuíram 6,8%. A queda na capital também se confirma no trimestre para roubo e furto de veículos (-6,8%), mas permanece crescendo (7%) se se considerar o acumulado do ano. "A redução média de crimes contra o patrimônio é a menor dos últimos 12 anos", afirmou França.

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