Mecanismo impediu funcionamento de freio, diz piloto

Comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais

Sérgio Duran, do Estadão,

18 de julho de 2007 | 00h49

Três pilotos ouvidos pelo Estado, que preferiram não se identificar, afirmaram que um dos reversos do avião da TAM estaria "pinado". O termo, eles explicam, significa que a peça teria um pino para travar o freios. Isso impediria que a aeronave tivesse os freios ativados inesperadamente, como ocorreu na decolagem do Focker 100, em 1996, provocando o acidente que matou 99 pessoas. No entanto, também teria impedido que os freios funcionassem no pouso do Airbus A-320.   Veja também: Os acidentes mais graves da aviação brasileira Galeria de fotos Tudo sobre o acidente da TAM   O reverso é um dispositivo usado para desacelerar o avião durante os pousos. O Airbus A-320 da TAM estaria apenas com um deles funcionando corretamente. Os três pilotos - dois deles comandantes da Gol e um deles da TAM - disseram que essa informação foi dada por colegas. O Estado conversou com eles em hotéis da zona sul da cidade, onde se hospedam entre um vôo e outro.   Segundo um deles, que tem 21 anos de profissão, havia também problemas na pista de Congonhas, recém-inaugurada. Assim como já afirmaram vários especialistas, o comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais - chamadas de grooving - necessárias para o escoamento de água. Sem isso, o piso poderia empoçar e causar aquaplanagem. O comandante contou que já havia feito vários relatórios sobre o problema na nova pista.   "Era um pista tão nova e já muito emborrachada", completou o comandante. Ele explica que também informou em seus relatórios que a borracha solta dos pneus dos aviões estava deixando a pista mais escorregadia ainda.   Os pilotos não pareciam tão tranqüilos como os passageiros. "Todos sabem que a pista não poderia estar aberta com essa chuva. Ela não está pronta. Mas piloto não pode reclamar porque perde emprego", diz um experiente piloto, com 33 mil horas de vôo no currículo, que preferiu não se identificar. "Se fosse eu, teria arremetido a aeronave. Não decolaria com esta chuva. Mas como muitos aviões aterrissaram sem problema, o piloto deve ter achado que seria seguro. Mas não é." Como muitos pilotos moram nas imediações de Congonhas, eles aguardavam em Guarulhos uma condução para seguirem para a região. E o comentário era a falta de segurança da pista de Congonhas.

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