Mecânicos de TAM depõem na polícia de SP

Um dos mecânicos da TAM ouvidos na quarta-feira pela Polícia Civil, em São Paulo, afirmou que no dia 17 de julho, às 14 horas, fez inspeção na parte externo do Airbus A-320, que depois veio a explodir causando a morte de 199 pessoas. Segundo ele, não foi constatada nenhuma anormalidade na parte externa da aeronave. Outro mecânico foi responsável pela vistoria interna. Segundo esse mesmo mecânico, naquele dia, ele foi informado por pilotos que, durante partida dada em Confins, Minas Gerais, o motor esquerdo apresentou 300º de temperatura, pouco acima do normal, comparada a outras partidas. O mecânico declarou também que, de acordo com o manual da aeronave, o motor pode atingir até 715º. Ele esclareceu que toda vistoria externa começa sempre em contato por interfone com o piloto, que informa se a aeronave apresentou ou não algum problema. Ele explicou ainda que, na eventualidade da aeronave ter de ''pinar'' o reverso, em face de qualquer defeito de equipamentos, a ação não é executada sem que o problema seja repassado à chefia. E acrescentou ainda que nenhuma aeronave é liberada antes que as peças com problemas sejam repostas. Já o segundo mecânico ouvido pela polícia disse que fez uma inspeção na parte interna. Ele contou que a tripulação do Airbus o informou sobre a temperatura um pouco acima do normal. Segundo ele, o piloto declarou que essa variação estava dentro dos parâmetros e, após atingir 300º, o fluxo de combustível se normalizou e o computador responsável pelo gerenciamento do motor esquerdo mostrou que estava tudo normal. O mecânico afirmou que, na data da inspeção, o reverso direito estava ''pinado'', mas isso não era empecilho para liberação da aeronave. Ele acrescentou que é um procedimento normal previsto pelo fabricante por meio do manual. O mecânico disse recordar que alguns comandantes de aeronaves diziam que a pista principal do Aeroporto de Congonhas ficava escorregadia quando chovia. Os dois disseram que, após o ocorrido com o Airbus A320, da TAM, em 17 de julho deste ano, não se lembram de ter efetuado inspeções em aeronaves com o reverso ''pinado''.

PAULO R. ZULINO, Agencia Estado

13 de setembro de 2007 | 09h42

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