Mecânico fica internado por 24 horas e depois será preso

Segundo informações policiais, ele deve ser encaminhado a um dos centros de detenção provisória na Raposo

Jones Rossi, do Jornal da Tarde,

20 de setembro de 2007 | 13h22

O mecânico Paulo César de Souza Luz, de 34 anos, que manteve a mulher e os dois filhos, uma menina de 7 anos e um menino de 11, reféns por mais de nove horas em Osasco, ficará internado por 24 horas e depois deverá ser preso. Segundo informações policiais, o mecânico deverá ser levado à carceiragem do 5º Distrito Policial da cidade e depois será transferido para um dos centros de detenção provisória que fica na Raposo Tavares.    Veja também: Mecânico se entrega após manter família refém por 9 horas Irmão de mecânico vem de Dracena para ele se entregar   O mecânico será preso por cárcere privado. A maioria das pessoas que passava pela Rua Leão XIII parecia não acreditar que aquilo estava acontecendo. Segundo relatos de pessoas próximas e vizinhos, o mecâncio é calmo e está passando por problemas financeiros. "Ele é um homem honesto, direito, respeitador e educado. Não tem que ser julgado pelo que fez", opina um morador do bairro, que pediu para não ser identificado.    Um rapaz que diz ser muito próximo do mecânico também o defende. "Paulão nunca fez nada de estranho." Evangélico, ele freqüenta a igreja Congregação Cristã. Segundo vizinhos, o mecânico estaria passando por crises nervosas devido a problemas financeiros nos últimos tempos: teria recebido vários cheques sem fundos na oficina.   Na terça-feira, ele teria ido a uma autopeças no mesmo bairro para cobrar uma dívida. De acordo com as testemunhas, ele teria subido em um guincho e dito que ninguém o tiraria de lá. Mas a polícia foi chamada e Paulão teria sido espancado. "Pediram que ele tirasse a roupa, para ver se ele estava armado, mas levava apenas uma Bíblia. Levou vários chutes na boca, e só falava frases como 'Jesus te ama'", disse um morador.       Além do desgaste por causa do dinheiro, há cerca de três meses, teria perdido o pai, vítima de câncer. "Ele cuidou do pai até a hora da morte", disse o comerciante Wilson Sarico, de 51 anos. "Não é bandido. É como um filho para mim."   'Um dia de fúria'   Depois de sofrer um pico de estresse, em um verdadeiro dia de fúra, o mecânico Paulo César de Souza Luz, de 34 anos, manteve a mulher e dois filhos, de 7 e 11 anos, reféns, dentro de casa, em Osasco, na Grande São Paulo. Por mais de nove horas, os quatro ficaram em um banheiro na suíte da casa. Luz estava armado com uma faca pequena de cozinha, mas não ameaçou a família: queria apenas falar com o irmão, que mora em Dracena, a 634 quilômetros da Capital.   Vizinhos contam que, na manhã de quarta-feira, Paulão - como o mecânico é conhecido no bairro Vila dos Remédios, onde mora, nos fundos de sua oficina mecânica - parecia meio exaltado. "Ouvi ele gritar dentro de casa e nem ouvi o papagaio dele falar nada durante o dia, como é de costume", contou um morador, que pediu para não ser identificado.   À noite, a família chamou o Centro de Apoio Psicossocial (Caps), para tentar interná-lo. Mas Paulão teria se sentido acuado, pegado uma faca na cozinha, e levado a mulher e as crianças para o banheiro.   A polícia foi, então, acionada. Viaturas chegaram à Rua Leão XIII e a mantiveram interditada durante toda a noite, de forma a evitar a aproximação de curiosos. À 1 hora, chegaram homens do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e começaram a negociar com Paulão, por trás da porta, de dentro da suíte. Ele teria dito aos policiais que só sairia com a presença do irmão, um sargento do Corpo de Bombeiros. Imediatamente, ele saiu de Dracena, no interior, em uma viatura da corporação.   A mãe do mecânico foi até o local, para tentar falar com ele. Um taxista, amigo dele, e um pastor também foram até lá, mas não adiantava: Paulão só queria saber do irmão, de quem é bastante próximo. Enquanto isso, os policiais o tranqüilizavam e o mantinham atualizado sobre a viagem. A menina, de 7 anos, ficou no colo do pai, enquanto a mulher e o menino, de 11 anos, ficaram sentados no chão do banheiro, com as luzes apagadas. Evangélico, Paulão parecia tranqüilo e sempre mencionava o nome de Deus durante a negociação, segundo o capitão-comandante do Gate Adriano Giovaninni.   Por volta das 7h30, finalmente o irmão chegou de Dracena. Ele entrou, com outros policiais, no galpão da oficina e foi falar com Paulão. Às 8 horas, ele se entregou, sem oferecer nenhum tipo de resistência. "Avisamos que o irmão dele havia chegado. Na hora ele abriu a porta, largou a faca, saiu e o abraçou", afirma Giovaninni. Para o capitão, o mecânico aparenta ter algum desvio mental ou emocional.   Quinze minutos depois, o mecânico saiu de camisa amarela e paletó cinza no banco de trás da viatura dos Bombeiros, ao lado do irmão. Eles foram até o Pronto-Socorro Psiquiátrico, na Vila Pestana, onde o mecânico fez exames. A família passou por avaliação médica em casa e ficou descansando, após a tensa noite em claro.

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