Tiago Queiroz/AE
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Mecânico cria 'museu da alegria' no centro

Tampinhas, garrafas PET, calotas de carro e materiais recicláveis viram criações para lá de inusitadas nas mãos de Paulo Marino Egílio; local pode ser visitado de terça a sexta

Tiago Queiroz, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2011 | 00h00

Flores e cataventos coloridos. Um cão prateado do tamanho de um tigre. Um jacaré que anda pelas paredes. Uma árvore de folhas azuis e um jogador de futebol que está de "castigo" há mais de um ano ao relento.

 

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Não se trata de um quadro surreal, fruto de um sonho, mas da fachada do Atelier da Alegria (Avenida Marquês de São Vicente, 557, Bom Retiro; tel.: 3392-1631), na região central de São Paulo. Todos esses elementos foram construídos com materiais recicláveis, garrafas PET, calotas de carro, tampinhas de garrafas e até um antigo manequim.

Tudo obra do mecânico e funileiro aposentado Paulo Marino Egílio, de 76 anos. Marino transformou a brincadeira de fazer bonecos com restos de peças de automóveis em arte. No interior do ateliê há incontáveis obras que iluminam os olhos das crianças e dos adultos que visitam o local, aberto de terça a sexta-feira, das 14 às 17 horas.

O espaço existe há seis anos e foi montado depois que Marino se aposentou. A princípio, ele queria fazer um museu de robôs, tema fartamente abordado em suas obras. São pelo menos quatro, gigantescos - o maior tem 3 metros. Um deles, inclusive, ele jura ter participado do antigo programa do palhaço Bozo.

A instalação preferida de Marino é o "bailão do sucatão", animado pelo "conjunto aperta a porca". Trata-se de uma miniatura de um autêntico baile de forró com os casais dançando e um conjunto musical para animar o baile, tudo construído com porcas e parafusos. Além da esmerada montagem, há um sistema que dispara a tocar um forró do cantor Frank Aguiar.

Outro brinquedo que faz a alegria da criançada é o "cavalo sem vergonha", todo feito com abridores de latinha. O cavalo tem esse nome porque há um sistema hidráulico que faz com que ele faça "xixi" (na verdade água) nas crianças que estão na sua frente.

 

Marino projeta e constrói esses brinquedos em um quartinho em cima do galpão do ateliê. Nele fica estudando quais são os melhores materiais e formas de construir aquilo que já está pronto em sua cabeça. Pelo menos três escolas visitam o espaço por semana. Tudo começou com a propaganda boca a boca. Uma diretora foi falando com outra e Marino foi abrindo seu espaço. As visitas são gratuitas.

Brinquedos. O gosto por construir tantas engenhocas começou quando os filhos eram pequenos. Marino orgulha-se de nunca ter comprado nenhum brinquedo para os dois meninos. Todos foram feitos por ele.

O hobby tomou ares sérios na década de 1970, quando a Secretaria Municipal de Turismo promoveu concursos para premiar os melhores carros alegóricos no carnaval. Ele venceu quatro. E nunca mais parou de criar.

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