Mau atendimento lidera queixas contra Prefeitura

Dados da Ouvidoria mostram que neste ano reclamação superou um velho conhecido na cidade: o problema da falta de iluminação

CAMILA BRUNELLI, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2012 | 03h05

O paulistano está cada vez mais preocupado com a qualidade do atendimento dos funcionários da Prefeitura. Essa é a maior causa de reclamações feitas à Ouvidoria-Geral do Município neste ano e já supera o antigo líder das críticas da população da cidade: a falta de iluminação pública. Foram 1.676 protocolos relativos à qualidade do atendimento ante 994 sobre postes e lâmpadas de rua.

Relatórios do órgão mostram que, ano após ano, cai o número de reclamações sobre serviços municipais, como a iluminação pública ou a jardinagem da cidade. A preocupação com a qualidade do atendimento, porém, tem se mantido constante. Uma em cada cinco críticas dirigidas à Ouvidoria no segundo trimestre deste ano diz respeito ao atendimento da Prefeitura.

O líder de reclamações de mau atendimento é o serviço de ônibus municipal executado por empresas terceirizadas e fiscalizadas pela São Paulo Transporte (SPTrans). No primeiro semestre deste ano, esse órgão foi alvo de 17% das críticas recebidas pela Ouvidoria. Em seguida, vêm as subprefeituras (15,7%) e a Secretaria das Finanças (10,8%), responsável por cobrar tributos como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Outros alvos de reclamações sobre a qualidade do atendimento são as Secretarias da Assistência Social, que gere os albergues municipais e outros serviços voltados à população de rua, e da Saúde. Procurada pela reportagem, a Ouvidoria afirmou que só poderia se pronunciar no próximo mês, uma vez que os funcionários estão preparando o próximo relatório trimestral.

Críticas. Nas ruas, não faltam críticas à qualidade do atendimento nos ônibus paulistanos. Para o estagiário de Direito Raí Gonçalves de Oliveira, de 19 anos, falta treinamento para os funcionários que trabalham em empresas de coletivos em São Paulo. "Eles se esquecem de que estão trabalhando com atendimento e são uma empresa privada que presta um serviço público. Não podem perder essa finalidade", afirmou.

Oliveira disse que já viu muito motorista indelicado, que não pensa duas vezes antes de dar gritos de palavras de baixo calão por causa de algum incidente no trânsito, mesmo na presença de gestantes, idosos ou crianças. "Alguns também colocam a música ambiente superalta. Acho isso um desrespeito ao transporte coletivo", disse o estudante.

O rapaz também relatou que dar sinal e o motorista não parar no ponto é algo que "acontece diariamente". "Já tive problema com motorista que cobrou minha passagem e me mandou descer pela porta da frente. Claro que o dinheiro ficou pra ele", acusou. "Reclamei na Prefeitura e eles me disseram que o motorista não trabalharia mais."

Alta velocidade. A advogada Paula Ristom, de 30 anos, disse que são várias as reclamações em relação ao atendimento, a começar pela velocidade em que os motoristas dirigem. "A gente tem de ficar se equilibrando dentro do ônibus, com bolsa, coisas na mão, por causa da imprudência deles. Eles não respeitam nem os idosos, às vezes arrancam quando eles estão entrando no ônibus", disse.

Já a auxiliar contábil Estéphani Silva de Souza, de 22 anos, tenta entender por que o ônibus que ela pega na região do Jabaquara está sempre atrasado, se o ponto em que ela espera é um depois do ponto inicial da linha. "Se reclamar com o fiscal, o que eles fazem? Nada. Acabo me atrasando para o trabalho", reclamou Estéphani.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.