Matarazzo é hostilizado ao sair de museu

Jovens contrários à ação da polícia no Pinheirinho bateram boca com pré-candidato à Prefeitura

, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h04

Sem a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), na manhã de ontem, teria sido tranquila, não fosse a confusão entre o secretário de Estado da Cultura e pré-candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo, e cerca de 20 jovens contrários à reintegração de posse na comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos. O bate-boca começou no fim da cerimônia.

Cercado na saída, já perto do carro oficial, Matarazzo discutiu com os manifestantes e disse ter levado uma cusparada de uma mulher na cara, enquanto era ofendido e chamado de fascista. Ele reagiu e pôs o dedo no rosto da jovem. Matarazzo ainda foi atingido por uma maçã arremessada pelos jovens.

Ao contrário do que ocorreu no confronto com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) - que marcou o aniversário da cidade, na Praça da Sé -, dessa vez os manifestantes não empunhavam bandeiras de movimentos sociais nem de partidos políticos. Mas, à semelhança do que ocorreu com a equipe de Kassab, funcionários da pasta de Matarazzo receberam uma chuva de ovos enquanto tentavam protegê-lo.

O secretário começou a ser hostilizado ainda dentro do MAC, enquanto inaugurava, satisfeito por ter relação familiar com o museu, o novo endereço da instituição. Ele chegou a ficar nervoso com a presença dos jovens lá dentro.

"Foi um ato despropositado. As pessoas têm direito de se manifestar. Mas constranger, cuspir, jogar maçã, não", disse Matarazzo ao Estado. "Acham que cuspindo na cara e jogando maçã vão tirar o meu direito de ir e vir? Podem fazer manifestação à vontade."

Após a saída de Matarazzo, o empurra-empurra entre os manifestantes e os assessores do secretário continuou. O vereador Floriano Pesaro (PSDB) também estava no meio da confusão. Sem violência, a polícia formou um cordão de isolamento entre a fachada do museu e os manifestantes, até o protesto terminar.

Acervo. A inauguração do novo MAC ocorreu após uma série de adiamentos na reforma de R$ 76 milhões do antigo prédio do Detran, no Ibirapuera, zona sul, que agora passa a abrigar o museu. E a festa de entrega da obra não o teve o tamanho planejado. Apenas um dos sete andares do prédio estava aberto à visitação. Não houve discursos oficiais.

O reitor da USP, João Grandino Rodas, passou brevemente pelo espaço e foi embora antes do horário marcado para a inauguração. Coube a Matarazzo e ao diretor do museu, Tadeu Chiarelli, receber os convidados de maneira informal. Entre eles, o ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e o presidente da TV Cultura e ex-secretário de Cultura, João Sayad. Kassab e Alckmin tinham agenda pública marcada na manhã de ontem e não apareceram. O ex-governador José Serra também não. Os planos de transferência do prédio para o museu começaram durante a gestão de Serra.

Ainda que o prédio, agora, seja de exclusiva responsabilidade da USP, não faltaram menções ao papel do governo: adesivos nos vidros do prédio traziam o brasão do Estado. Em um texto impresso na parede, Matarazzo exaltava a figura do tio Ciccillo Matarazzo, fundador da coleção que deu origem ao MAC, fazia referências a Serra e agradecia especialmente a Alckmin.

Ao contrário do previsto, a pasta não participará da gestão da sede. Chegou-se a anunciar o valor do montante a ser repassado pelo governo ao museu: R$ 10 milhões. "A ideia é que a USP custeie sozinha a nova sede", disse Matarazzo. / PAULO LIEBERT, FELIPE FRAZÃO, JULIA DUAILIBIe MARIA EUGÊNIA DE MENESES

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