Massacre do Carandiru: defesa leva famílias de policiais militares a júri

Como parte da estratégia, parentes abordaram jurados na porta do Fórum, no primeiro dia da última etapa de julgamentos do massacre

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 20h39

Atualizado à 0h30

Os 15 PMs acusados por 8 mortes no 3º andar do Pavilhão 9 do Carandiru, em 1992, terminaram de ser interrogados no começo da madrugada desta terça-feira, 1º, por volta da meia-noite. Todos responderam às perguntas do juiz Rodrigo Tellini. Alguns se recusaram a responder ao Ministério Público. O magistrado quis saber se os PMs viram mortos no pátio, térreo e escadas do pavilhão e a dinâmica da invasão no terceiro andar.

O júri será retomado nesta terça, 1º, com a fase de debates.

Na segunda-feira, 31, primeiro dia do júri, parentes e amigos dos 15 PMs adotaram a estratégia de abordar os jurados na porta do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. "Ei, você, que pode ser jurado, absolva já", disse o deputado estadual major Olímpio (PDT), antes da escolha dos seis homens e uma mulher, entre 25 convocados, que formaram o corpo de jurados. Havia cartazes contra o "massacre dos PMs" e um boneco fardado deitado no chão, com tinta vermelha e uma cruz.

Após a condenação de 58 réus nos três primeiros julgamentos, a defesa decidiu que os familiares deveriam participar. PMs cadeirantes, feridos em ação, estiveram na plateia. "Pediram para que nós não viéssemos no outro (júri). Agora, já pediram que a gente viesse. Nós temos vontade de nos manifestar", disse Rute Salgado, mulher do coronel reformado Ariovaldo Sérgio Salgado, que liderou os policiais do Comando de Operações Especiais (COE) no dia da invasão ao terceiro andar do Pavilhão 9.

"Estou indignada com os resultados anteriores. Todos esses que estão sendo julgados hoje dedicaram a vida inteira à PM. Ele (Salgado) sempre foi um homem correto na carreira." Salgado, de 57 anos, trabalhou na PM desde os 15 e foi reformado em 2010, quando era chefe de gabinete do então comandante-geral, Alvaro Camilo. Ontem, ele foi o primeiro a ser interrogado e, como os demais, só respondeu às perguntas do juiz.

Condenação. Uma das perguntas feitas pela Promotoria que o réu deixou de responder é se ele já havia sido condenado por homicídio. Em abril do ano passado, o Tribunal de Justiça decidiu que o júri pelo qual Salgado havia sido condenado a 6 anos e 6 meses no regime semiaberto pela morte de um homem, em Guarulhos, em 1981, seria anulado. A vítima foi levada algemada da casa da mãe até ser morta em um terreno baldio, após um suposto confronto no qual teria dado tiros contra a PM, segundo a polícia. O novo julgamento está marcado para o dia 8.

O réu Sandro Francisco de Oliveira, expulso da PM após um assalto de R$ 1,2 milhão a uma empresa de ônibus em Tatuapé, em 2004, respondeu que já foi condenado a uma pena de mais de 11 anos de prisão, mas se reabilitou. "Salvo vidas até hoje."

O tenente-coronel Armando da Silva Moreira, terceiro a ser interrogado, chegou a responder também às perguntas da Promotoria, mas contradisse os colegas, afirmando que usava um colete. Ele foi o único a admitir que revidou com tiros e fez um detento cair.

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