Máscara de Joaquim Barbosa já começa a faltar no Rio

Após vender 25 mil adereços do presidente do STF, fábrica vai produzir mais 15 mil e não sabe se poderá atender a novos pedidos

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2013 | 02h01

Faltando um mês para o carnaval, os foliões cariocas já definiram a cara da festa. Com mais de 25 mil máscaras vendidas e estoques vazios nas principais lojas, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, será a personalidade mais homenageada nas ruas da cidade.

A procura pela máscara de Barbosa é dez vezes maior que pela segunda máscara mais vendida pelo mesmo fabricante. Diante da demanda, a fábrica reforçou a produção, mas ainda há risco de os foliões não encontrarem o adereço.

Responsável pela condenação e pelas duras penas aos políticos envolvidos no mensalão, Barbosa desbancou concorrentes de peso e terá 40 mil máscaras distribuídas em todo o País. A segunda mais vendida - do jogador Neymar com seu penteado característico - não passou de 4 mil máscaras comercializadas.

No universo político, nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - nas versões com e sem barba - nem a presidente Dilma Rousseff fizeram frente ao prestígio das máscaras de Barbosa. A máscara do prefeito do Rio, Eduardo Paes, está encalhada. Sucesso em carnavais passados, a procura pelas máscaras do ex-ministro José Dirceu também caiu após sua condenação no julgamento do mensalão.

Mesmo com o reforço na produção, as últimas encomendas para as máscaras de Joaquim Barbosa ainda estão em análise. "Os pedidos de São Paulo vieram muito tarde e não sei se conseguiremos atender", explicou Olga Valles, proprietária da fábrica. Recebendo novos pedidos diariamente, a empresa limitou as encomendas.

Pré-carnaval. Baterias, marchinhas e fantasias já estão nas ruas do Rio desde o último fim de semana, quando os primeiros blocos iniciaram os ensaios de rua. Até o próximo domingo, serão 18 blocos se apresentando em ensaios e prévias de seus sambas-enredo, em diferentes pontos da cidade (confira no serviço acima). Até 16 de fevereiro, o domingo seguinte ao carnaval, mais de 400 blocos deverão reunir 5 milhões de pessoas.

O crescimento da procura pelas fantasias e os primeiros desfiles dão uma mostra do sucesso das máscaras de Joaquim Barbosa, presença garantida nos ensaios. O adereço representa o ministro com seus óculos de aros redondos e o ar sóbrio que o caracteriza. Para completar o figurino, os foliões usam capas pretas semelhantes às dos ministros do STF. Nas lojas populares do Rio, o conjunto custa R$ 12.

"Fica parecendo um super-herói, que é como muitas pessoas o veem. As fantasias de heróis sempre são as que mais vendem", disse Cláudio Muniz, gerente de uma loja especializada em fantasias e adereços.

No quesito samba-enredo, o presidente do Supremo também é sucesso. Ele é citado em marchinhas de vários blocos e virou tema do bloco A Pauta Caiu, formado por jornalistas de São Gonçalo, na região metropolitana.

A letra do samba se refere ao magistrado como Barbosão e diz que, com ele, "a piada de salão não vingou lá em Brasília". Na fantasia, uma caricatura retrata o ministro Joaquim Barbosa tocando bumbo com o martelo que simboliza a Justiça.

"Queríamos falar de piadas de salão e a referência a ele surgiu e agradou a todos", contou o idealizador do bloco, Kiko Charret. "Vou entregar uma camisa para ele, que gosta de carnaval e deve vir ao Rio. Quem sabe ele não tira uma foto com nossa homenagem?"

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