Marzagão libera todos os meios para investigar morte de casal

Secretário de Segurança foi até Americana para acompanhar caso; testemunhas não revelaram fatos importantes

Tataiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2009 | 19h33

O secretário de Estado da Segurança, Ronaldo Marzagão, disponibilizou à Polícia Civil de Americana todos os recursos da polícia do Estado que se façam necessários para a investigação do que ele considerou um dos crimes mais impressionantes de sua gestão: a morte do casal Ana Paula e Douglas Tempesta com 16 tiros, e de suas filhas, de 8 anos e 1 ano e oito meses, com sinais de estrangulamento. Marzagão assumiu a secretaria em janeiro de 2007.   "Em primeiro lugar quero lamentar e, em segundo, quero dizer que, da minha sensibilidade como secretário, nesses dois anos, talvez esse tenha sido o crime que mais tenha me impactado, pelas circunstâncias de execução", disse. "Recebi expressa determinação do governador (José Serra) para que a investigação fosse priorizada e para que todos os meios que a Polícia de São Paulo tem fossem disponibilizados", disse.   O casal Tempesta foi morto no escritório da família, no Jardim Santana, na noite da última quarta-feira. As filhas estariam com o casal e teriam sido levadas pelos assassinos. Os corpos das duas crianças foram encontrados à margem da Rodovia Hélio Stefin (SP-75), conhecida como Rodovia do Açúcar, na altura da cidade vizinha Elias Fausto, na manhã de quinta-feira.   Desde quinta-feira, uma equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da capital paulista, trabalha em conjunto com a polícia de Americana. "Vamos reconstituir os últimos passos das vítimas porque a partir daí vamos ver quem estava próximo a essas pessoas e quem pode ser suspeito nesse crime", afirmou o delegado do DHPP, Marcos Carneiro Lima.   De acordo com o delegado seccional de Americana, João José Dutra, a principal linha de investigação é a de que o crime tenha sido motivado por vingança ou cobrança de dívidas. Contra Tempesta há ao menos dois inquéritos policiais abertos, pelo suposto crime de estelionato. Segundo informações do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo, há outros dez processos cíveis em que o empresário é réu.   Testemunhas   Dutra disse, nesta manhã, que uma equipe de investigadores recebeu informações sobre três suspeitos em um carro com placa de Americana que teria parado para abastecer na rodovia em que foram encontrados os corpos das crianças. "Mas ainda é tudo prematuro. Não sabemos se há como fazer uma identificação, temos um longo caminho", afirmou.   Num primeiro momento, peritos e policiais não encontraram no local do crime evidências que pudessem auxiliar nas investigações. O diretor do Deinter 9 de Piracicaba, José Carneiro de Campos Rolim Neto, informou nesta sexta, em entrevista coletiva na seccional de Americana, que a polícia ainda não tem nomes de suspeitos e os depoimentos das testemunhas não apresentaram revelações importantes.   "Na prática ainda não temos nomes. Temos algumas linhas de investigação, que não podem ser reveladas e estão sendo seguidas por várias equipes. Todas as pessoas que tiveram algum contato com a cena do crime já foram ouvidas", disse Rolim Neto. "As testemunhas ouvidas até agora não acrescentaram nada além daquilo que a gente já sabia".   Rolim Neto não divulgou o número de testemunhas que já prestaram depoimentos. A polícia aguarda os laudos da perícia, que devem sair em até 30 dias. O delegado seccional informou na quinta que foram pedidos exames residuográficos em três funcionários da empresa de eventos de Tempesta que estiveram com o casal no dia do crime.

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