Martinho da Vila espera carnaval ansioso

Músico homenageia Noel Rosa após 17 anos sem compor o samba-enredo da Unidos da Vila Isabel

Igor Giannasi - Agência Estado,

11 Fevereiro 2010 | 13h00

 

SÃO PAULO - Martinho da Vila faz 72 anos amanhã. Nasceu no carnaval de 1938 e diz que "volta e meia" seu aniversário coincide com "o maior espetáculo da Terra". Só que desta vez confessa: está sentindo uma "ansiedade de principiante". Após 17 anos sem compor o samba-enredo da Unidos da Vila Isabel, o sambista volta para animar o público da Marquês de Sapucaí com uma homenagem a outro símbolo do bairro carioca.

 

"Noel Rosa para a Vila Isabel é quase uma entidade, um santo", comenta Martinho. Noel, a presença do Poeta da Vila marca o retorno dele ao posto de letrista da escola de samba desde Gbala - Viagem ao Templo da Criação, em 1993. "Vai ser um desfile muito especial porque o tema é Noel Rosa, eu sugeri o enredo, também fiz o samba-enredo e faz muito tempo que a Vila não desfila com um samba meu, quer dizer, é uma coisa emocionante", resume Martinho. E a homenagem a Noel Rosa não ficará apenas no samba-enredo.

 

Ele está preparando um CD intitulado Martinho Canta Noel, somente com composições de Noel Rosa e participações especiais de artistas como a filha Mart'nália e Aline Calixto, entre outros. O trabalho, que será encartado em um livro sobre Noel, será finalizado após o carnaval, mas ainda não tem data de lançamento.

 

A comemoração do aniversário de Martinho neste ano, que antecede em um dia o início do carnaval carioca, será ao redor de seus músicos e familiares em Florianópolis. O sambista tem marcado para o sábado um show na cidade, no resort Costão do Santinho. E no domingo, deixará a capital catarinense para, na segunda-feira, participar do desfile da Unidos da Vila Isabel.

 

EMOÇÃO DIFERENTE

 

Para Martinho, compor um samba-enredo "é uma emoção diferente" que se junta à expectativa da avaliação dos jurados e do público. "Não é uma musica para se cantar individualmente, é para se cantar em grupo. É uma musica que não é para se cantar parado, é para se cantar em movimento. Ela tem que empurrar as pessoas, fazer as pessoas vibrarem", define o músico. "Qualquer compositor, mesmo que não esteja ligado a escola de samba, gostaria de ter um samba na avenida cantado no maior espetáculo da terra."

 

A expectativa dele para a vitória da Vila Isabel no desfile, claro, é grande. "O enredo é bom - o que é uma coisa fundamental -, as pessoas gostam do samba e a escola está com ele afiado. Mas o carnaval a gente só ganha lá na avenida", comenta.

 

Em 1988, a Unidos da Vila Isabel foi campeã do 1º grupo do carnaval carioca com um samba-enredo criado por Martinho - Kizomba - Festa da Raça. Martinho afirma que o samba-enredo de agora não é apenas uma exaltação ao "Poeta da Vila", cujo centenário de nascimento é comemorado neste ano - Noel Rosa é de 11 de dezembro de 1910 -, mas também retrata o Rio de Janeiro do início da primeira década do século passado, com a boemia e o carnaval da época, além de falar de acontecimentos históricos como a Revolta da Chibata e a passagem do cometa Haley, fatos que movimentaram a vida dos cariocas de então. E nessa época de carnaval, Martinho fica "envolvido geral" com os preparativos. "Todo tempo que eu estou acordado eu penso na escola de samba, no desfile". Mas também confessa: "Meu sonho é um dia desfilar sem envolvimento, ir lá comprar a fantasia, entrar numa ala e brincar o carnaval, que é uma coisa que eu não me lembro de ter feito."

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