Martin e sua fórmula da felicidade

De vibração contagiante, vocalista do Coldplay veio com vontade de fazer história. E apresentou um show memorável

LUCAS NOBILE, ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h03

Menos de dois anos depois de sua passagem pelo Brasil com a turnê de Viva la Vida, o Coldplay retornou ao País, encerrando na noite de anteontem o sexto dia da quarta edição brasileira do Rock in Rio. Em mais uma noite voltada absolutamente para o pop, o grupo britânico fez uma apresentação de menos de 1h30, protagonizando o show mais curto entre todos os headliners que passaram pelo Palco Mundo.

Em comparação com as apresentações de 2010, a banda fez um show menos performático, sem as disparadas e contorcionismos de Chris Martin pelo stage principal do evento. Ele se ateve a tocar seu piano, violão e a cantar. E isso, inegavelmente, ele faz muito bem. Seria perfeito se o grupo não tivesse sido extremamente prejudicado pelo baixo volume de som.

O que dava indícios, pelas apresentações anteriores, de que poderia ser uma estratégia corriqueira em festivais pelo mundo - os organizadores deixam o som das primeiras bandas mais baixo para não roubar os holofotes do headliner -, não se comprovou no show do Coldplay. Diversas torres sonoras que ficam espalhadas pela Cidade do Rock foram desligadas. Assim como os grupos que tocaram por lá antes, como Skank, Frejat, Maná e Maroon 5, a impressão que deu era a de que forraram os amplificadores com toalhas, abafando completamente o som.

Mesmo com todas as adversidades, o Coldplay fez uma apresentação muito mais convincente em relação às do ano passado. Com o quarteto britânico empolgadíssimo no palco, pela primeira vez eles testaram (como eles mesmos definem) músicas novas de seu próximo disco, Mylo Xyloto.

A faixa que batiza o álbum abriu o show e, assim como outras faixas estreantes, como Major Minus, mostrou uma sonoridade de pista gigante dos ingleses. Todas inspiram festa e balada, como o single tocado Every Teardrop is a Waterfall, um country rock de arena bem feito.

As novidades foram bem intercaladas com os hits do grupo, que promoveram um dos maiores corais do Rock in Rio. No repertório, os achados melódicos de Martin, como Yellow, In My Place, God Put a Smile on Your Face (com arranjo diferente do habitual), The Scientist, Lost (com direito à citação de Mas Que Nada, de Jorge Ben, no fim), Viva La Vida, Fix You e Clocks, com Chris Martin emendando Rehab, de Amy Winehouse, para homenagear a cantora.

O Coldplay deu ao público o que ele queria, um caldão pop de alta qualidade, sucessos e carisma, incluindo aí uma série de atitudes simpáticas e populistas, como a batida bandeira do Brasil exibida pelos integrantes da banda e Martin trocando poucas palavras em português com o público "da frente e do fundão".

O ápice de sua devoção ao País veio no momento em que Martin pichou a palavra Rio com um coração no palco.

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