Marta acusa Serra de 'incapacidade' de negociar o confronto

José Serra acusou o PT, a Força Sindical e a CUT de estarem envolvidos no confronto entre policiais

Carolina Ruhman, da Agência Estado ,

17 de outubro de 2008 | 14h57

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, repudiou as acusações do governador do Estado, José Serra (PSDB), de que o conflito de quinta-feira, 16, entre policiais civis em greve e a Polícia Militar teria "motivações políticas", e atacou: "É uma incapacidade, uma intransigência por parte de quem governa."   Veja também: Após confronto com PMs, civis se reúnem para analisar greve Confronto entre policiais deixou pelo menos 32 feridos Policiais civis do País podem parar em apoio à categoria em SP Futuro da greve preocupa e divide sindicatos e associações Erro de planejamento piorou situação do conflito entre polícias  Serra culpa CUT e PT por confronto entre polícias  'Serra joga nas nossas costas problema que é dele', diz PT-SP  'Teve policial atirando contra o Palácio dos Bandeirantes', conta o jornalista Marcelo Godoy   Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista  'PM tem obrigação de manter a ordem', diz José Serra  Manifestação de Polícia Civil foi feita por "minoria", diz Marrey Paulo Pereira da Silva diz que José Serra não está aberto ao diálogo  Antes da manifestação, Serra disse que 'não negocia com greve' Todas as notícias sobre a greve   "Querer culpar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava essa postura do governador", criticou Marta, após encontrar-se com sindicatos de taxistas no bairro da Vila Mariana, na zona Sul da Capital. Ela destacou que a campanha de negociação salarial dos policiais civis já dura vários meses e frisou por diversas vezes a acusação de "incapacidade de negociação".   José Serra acusou on o PT, a Força Sindical e a CUT de estarem envolvidos no confronto entre policiais que eclodiu na tarde de ontem perto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. "Querer colocar isso nas costas da CUT e da Força Sindical, ninguém merece", atacou a petista, que avaliou o episódio como "uma tragédia".   "Agora nós estamos na véspera de uma eleição. Eu fico pasma de o governador fazer insinuações deste porte. É muito sério o que ele fez", disse Marta. "Pessoas ligadas à CUT e à Força Sindical estarem presentes no momento da sua negociação salarial me parece, o mínimo, que uma pessoa que entende de democracia, de negociação, possa saber que deveria estar acontecendo", continuou a petista.   O tom do candidato a vice em sua chapa, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi mais forte. "O governador José Serra fez ontem o mesmo discurso de que foi vítima quando era líder estudantil", atacou. Entretanto, ele evitou afirmar que fazia uma comparação com o discurso do governo militar. "O Serra foi muito injusto e não honrou a tradição dele de militante que já fez inúmeras passeatas na rua", criticou, e arrematou: "Ele perdeu o rumo".   Marta cancelou nesta manhã quatro eventos em sua agenda de campanha, trocando-os por uma gravação para o horário eleitoral gratuito. Estavam previstas visitas aos bairros da Freguesia do Ó, Brasilândia e Casa Verde, na zona Norte. Entretanto, ela evitou comentar se o confronto entre os policiais de ontem irá entrar sem seus programas. "Foi uma regravação", limitou-se a dizer. "Se (o confronto) entrou ou não, isso é uma outra situação."   Já o coordenador de campanha da petista, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), negou que a mudança de planos desta manhã tivesse como objetivo incluir o episódio na propaganda e afirmou que isso não deve acontecer. "A campanha é a campanha. Esse caso que houve ontem foi um problema de negociação salarial malconduzida pelo Governo do Estado. São problemas diferentes", avaliou.

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