Felipe Cícero/Reprodução/Estadão
Felipe Cícero/Reprodução/Estadão

Marronzinhos vão doar sangue e lentidão no trânsito piora

Protesto dos trabalhadores da CET é por melhores condições de trabalho e novas contratações; nova manifestação poderá ocorrer semana que vem

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2014 | 09h17

Atualizado às 10h21.

SÃO PAULO - Os agentes de trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) cruzaram os braços. Ou melhor, os levaram para doar sangue, como forma de protesto e meio de chamar a atenção para as reivindicações trabalhistas da categoria. Estimativa do Sindicato dos Trabalhadores no Sistema de Operação de Tráfego do Estado de São Paulo (Sindviários) revela que na manhã desta terça-feira, 27, cerca de 60% dos marronzinhos que entram para trabalhar no primeiro horário do dia, por volta de 4h30, não saíram às ruas. Houve lentidão acima da média no trânsito.

Com isso, a faixa reversível da Radial Leste foi apenas parcialmente montada, o que prejudicou o trânsito na via. No Elevado Presidente Costa e Silva, mais conhecido como Minhocão, na região central, houve atraso para a abertura do viaduto, onde o tráfego é geralmente liberado às 6h30.

De acordo com Reno Ale, presidente do Sindviários, a CET forçou os trabalhadores do turno da noite, que entraram em serviço às 22h de segunda-feira, 26, a estenderem a jornada até a manhã de hoje, para tentar contornar os prejuízos da paralisação ao trânsito. Ele diz que ao menos 48 profissionais estavam nessa situação.

"As pessoas estão estouradas de tanto fazer horas extras nesta empresa." Para ele, a CET, que atualmente tem 1,7 mil marronzinhos, precisa dobrar esse efetivo, para evitar desgastes e excesso de trabalho aos profissionais já contratados.

"Isso é uma das propostas da campanha, é preciso investir mais em infraestrutura e recursos humanos da empresa", disse Ale. Ele conta que, no ano passado, cerca de 270 pessoas se desligaram das diversas áreas da CET, um número que considera elevado e que demonstraria a falta de atrativos para as pessoas se manterem na empresa, que é controlada pela Prefeitura.

Os trabalhadores da CET pedem, entre outros itens, reajuste salarial de 6,5% e aumento real de 5,5%, assim como R$ 4,5 mil em participação nos resultados.

As manifestações foram aprovadas em uma assembleia realizada na semana passada. Na quarta-feira da semana que vem, a categoria pretende fazer uma paralisação de 24 horas na cidade. Na segunda-feira seguinte, dia 9 de maio, o grupo poderá entrar em greve por tempo indeterminado -- trata-se da semana em que terá início a Copa do Mundo de futebol, com um jogo no Estádio Itaquerão, na zona leste.

Por meio de nota, a CET informou que "está em plena negociação com o Sindiviários" e que "em vista disso, a companhia estranha a atitude do sindicato no dia de hoje".

Segundo a empresa, três reuniões com representantes da entidade já ocorreram e nesta quarta-feira, 28, haverá mais um encontro. "Ao mesmo tempo, a CET está executando um plano para o atendimento de eventuais paralisações na operação de monitoramento do trânsito", conclui o texto.

Trânsito. As vias da capital paulista registravam lentidão acima da média nesta manhã. Às 8h30, havia 141 km de congestionamento, quando a média para o horário fica entre 71 km e 95 km. Às 9h30, a lentidão chegou a 126 km, acima da média para essa faixa, que é entre 80 km e 100 km.

A Radial Leste tinha filas em 4,8 km de sua extensão.

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