Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Marronzinhos fazem ''operação-tartaruga''

Em estado de greve desde quinta-feira, eles estão multando 60% menos, de acordo com sindicato da categoria; Prefeitura não quis se manifestar

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

Os agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começaram no fim da semana passada uma operação-padrão, na qual reduziram alguns serviços e também a quantidade de multas de trânsito aplicadas na cidade de São Paulo. Os "marronzinhos" protestam contra a falta de acordo em relação ao reajuste salarial e podem entrar definitivamente em greve na próxima semana.

O movimento acontece justamente no momento em que a Prefeitura e a CET prometem intensificar a aplicação de multas para quem desrespeitar os pedestres na região do centro e da Avenida Paulista. Mas o próprio sindicato da categoria reconhece que as ações, por enquanto, não afetaram a quantidade de autuações nessas áreas.

As manifestações começaram na quinta-feira da semana passada, após uma assembleia da categoria. Os funcionários decidiram começar a operação-padrão em alguns serviços de responsabilidade dos agentes, realizando apenas os trabalhos previstos em contrato, fazendo vistorias mais rígidas nas viaturas e evitando fazer hora extra. Um dos reflexos é o aumento no tempo de remoção dos veículos feitos pelos guinchos da CET.

Outra medida adotada é a chamada "operação educação" - que já foi chamada de "multa zero". Nesses casos, os marronzinhos preferem orientar os motoristas infratores em vez de aplicar as multas. O Sindviários, sindicato que representa a categoria, estima que a quantidade de autuações tenha caído em 60% entre a quinta-feira da semana passada e segunda-feira. Esse procedimento é adotado para infrações como estacionar em local proibido ou parar sobre a faixa de pedestres.

Multas. "Os marronzinhos não vão deixar de fiscalizar regras que coloquem em risco motoristas e pedestres, como furar o semáforo vermelho", disse o secretário-geral do Sindviários, Alfredo Coletti. Atualmente, cerca de 2 mil agentes atuam no departamento de operação da CET.

Na sexta-feira, está programada uma doação coletiva de sangue. As regras da categoria determinam que os funcionários não precisam trabalhar nesses casos e, portanto, essa ação pode ser configurada como paralisação.

Os funcionários reivindicam reajuste salarial geral de 15% e de 20% para o salário de ingresso (o piso da categoria), além de aumento em benefícios como vale-alimentação. A proposta da empresa é de 5%. O salário inicial para um agente é de R$ 1,3 mil.

A CET foi procurada no início da noite de ontem, mas não se posicionou sobre o assunto. A companhia também não comentou as informações sobre diminuição na aplicação de multas aos motoristas nem sobre lentidão nos serviços.

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