Marronzinhos ameaçam hoje só doar sangue

Ato garante dispensa sem corte no holerite; protesto é contra negociação salarial

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h06

Marronzinhos de São Paulo ameaçam não trabalhar hoje em protesto contra as negociações salarias com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Mas eles negam que vão fazer greve: a partir das 10 horas, farão doação de sangue coletiva no Hospital das Clínicas - o que garante dispensa do dia de trabalho sem corte no salário.

Até o fim da noite de ontem, a Prefeitura não havia confirmado se buscaria garantias judiciais para manter um porcentual mínimo de agentes trabalhando.

Em nota, a CET não informou se tem um plano de contingência para manter a operação viária sem os marronzinhos. Disse apenas que "não houve comunicado oficial por parte do sindicato que representa a categoria sobre movimento de greve de agentes de trânsito".

Além de aplicarem multas, marronzinhos orientam o trânsito e fazem operação de faixas reversíveis nos horários de pico.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Sistema de Operação do Tráfego do Estado de São Paulo (Sindviários), Reno Ale, diz esperar que entre 70% a 80% dos agentes não apareçam para trabalhar já a partir do primeiro turno, às 5 horas. Dos cerca de 4.600 funcionários da CET, 2.300 são marronzinhos, diz ele. "Pelo menos uns 150 devem ir ao hemocentro do Hospital das Clínicas. Mas passamos endereços de outros locais para todos os agentes."

O protesto deve ocorrer apenas hoje. Uma greve, entretanto, já foi aprovada em assembleia pela categoria para 4 de setembro.

O entrave é o porcentual de aumento salarial oferecido aos marronzinhos - 4,14%, segundo o sindicato (a CET não confirmou). "Queremos 12%", diz Ale.

O salário de um agente em início de carreira é de R$ 1.400, segundo o sindicato. A Prefeitura não disse se as negociações ainda estão em andamento para evitar paralisação mais longa. Outra reivindicação é de melhoria nas condições de trabalho - o último concurso para agente da CET foi feito há dois anos, segundo o sindicato, enquanto a frota de veículos não para de crescer.

Outros casos. A última vez que São Paulo ficou sem agentes de trânsito foi em uma greve há nove anos. Em julho de 2006, agentes também passaram dois dias sem aplicar multas.

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