Marky Ramone e a mística do punk rock

À frente da banda do baterista Marky Ramone, o cantor Michelle Graves coçou o nariz nervosamente enquanto cantava Now I Wanna Sniff Some Glue, canção do clássico álbum Ramones, de 1976. Um gesto de outsider que recorre a efeitos duros e honestos para se reconhecer como gente. A canção é de uma época em que Joey Ramone deixava um testamento essencial do punk rock ao dizer: "Alguns álbuns custam meio milhão de dólares para fazer e levam dois ou três meses sendo tocados".

JOTABÊ MEDEIROS , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2013 | 02h11

Essa consciência de que um mundo opulento e artificial destruiria a alma do rock ainda levanta uns 3 mil malucos numa tarde quente - mesmo que seu som soasse como uma banda cover dos Ramones. O encontro entre Marky Ramone e Michelle Graves foi rápido, barato e indolor. Tocando faixas como Gimme Gimme Shock Treatment e I Believe in Miracles, o grupo conseguiu espalhar uma poeira de integridade por aqui.

Marky Ramone está quase toda semana em São Paulo. Nada disso, entretanto, tira sua autoridade de quem esteve lá, na bateria da banda mais essencial do punk rock. Essa autoridade ele empresta para três ou quatro comparsas quando quer reavivar a chama, e sempre funciona. É cem vezes mais honesto Marky levando seu circo pelo underground do que Tico Santa-Cruz profanando o legado de Raul, que ele nunca vai compreender de verdade.

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