Marketing involuntário atrai público para o Masp

Mais de 3 mil pessoas visitaram o acervo do museu desde a reabertura, na sexta-feira

Gilberto Amendola, Jornal da Tarde

14 de janeiro de 2008 | 08h59

Como as avós já diziam, tem males que vêm para o bem. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) andava bem caidinho. Imerso em uma tremenda crise financeira, o museu passou até pelo vexame de ter seu fornecimento de energia cortado pela Eletropaulo, em maio de 2006. Além disso, o público parecia não se importar mais com ele. Há tempos, a freqüência do lugar estava aquém do seu rico acervo de Renoir, Monet, Van Gogh e afins. Daí, no último dia 20 de dezembro, aconteceu o que aconteceu: o roubo dos quadros. A esta altura, todo mundo já sabe que O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso, e o Lavrador de Café, do Cândido Portinari, estavam passando uma temporada em Ferraz de Vasconcelos, cidade da região metropolitana de São Paulo. Resultado: o roubo - e o resgate dos quadros, no dia 8 de janeiro - serviu como um marketing involuntário e rendeu ao museu a atenção do público, de empresários e de políticos. Tudo indica que o Masp voltará à moda outra vez. Recuperá-lo, no ano em que completa 60 anos, seria um presente para a Cidade. Na reabertura do museu, no último dia 11, às 11 horas, uma fila de 100 pessoas formou-se na bilheteria. "Normalmente, nesse horário, a gente não tem nem 15 visitantes", disse um bilheteiro, que pediu para não ser identificado. "Mas pode reparar, a maioria não é de São Paulo", completou. O bilheteiro tinha razão. Estavam lá turistas do interior de São Paulo, de Estados como Roraima e até dos Estados Unidos. "Sempre tive vontade de trazer minha família aqui. Não queria passar por São Paulo sem visitar o Masp", disse o roraimense Jaime César do Damasceno, ao lado da mulher e os dois filhos. "Sempre que estou aqui venho ao museu. Acho o lugar o mais bonito e importante de São Paulo", comentou o professor de história, morador de Sorocaba (Interior), Donizete Justino de Oliveira.  No dia da reabertura, o Masp recebeu um total mil pessoas. Já no sábado, o número de visitas duplicou: 2 mil freqüentadores, segundo estimativa divulgada pela direção do museu. Preço e acervo atraem Os atrativos do Masp começam pelo preço. O ingresso sai por R$ 15. Às terças-feiras, a entrada é franca. Mas não é só isso. O prédio do museu é um dos cartões-postais mais interessantes da Cidade. Ele é resultado de um projeto singular e inovador de Lina Bo Bardi - e um marco da arquitetura moderna mundial. Apesar de alguns vendedores inconvenientes, seu "vão livre" continua um charme. O Masp também tem lojinha (boa para comprar agendas, reproduções e mimos em geral) e um restaurante - que, durante a semana, acaba recebendo mais freqüentadores que o próprio museu. Em sua reabertura, muita gente se surpreendeu com a qualidade do acervo do Masp. Quem foi pra ver as vedetes do momento, O Lavrador de Café (Portinari) e O Retrato de Suzanne Bloch (Picasso), deparou-se com outras obras-primas. São 200 obras em exposição, de um acervo de mais de 8 mil.  Nem precisa ser um entendedor de arte para admirar Menina Com As Espigas - Menina Com As Flores, um marco do impressionismo de Renoir. Ou se emocionar (sofrer mesmo) com a carga dramática de Retirantes, do Portinari. A viagem pelo museu ainda traz maravilhas como Pobre Pescador, de Paul Gauguin (suas cores são incríveis), O Escolar, um dos grandes quadros de Van Gogh, e o delicado A Canoa Sobre O Epte, de Monet. O Masp ainda tem exemplares de mestres como Matisse, Chagall, Cézanne, Lasar Segall, Di Cavalcanti e Volpi. A expectativa é que o museu receba 20 exposições nacionais e internacionais no ano de 2008, com destaque para a vinda de desenhos dos espanhóis Pablo Picasso e Salvador Dali. Na última terça-feira, estrearam as mostras do artista japonês Tatsumi Orimoto e da espanhola Rose Olivares. No mês de janeiro, ainda há um atrativo a mais: os interessados podem programar visitas guiadas pelo museu - o que pode tornar o passeio ainda mais "cultural".

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