Mário Bortolotto é baleado em assalto na Praça Roosevelt

Dramaturgo reagiu a assalto no Espaço Parlapatões e está internado na Santa Casa, em estado grave

Filipe Vilicic, de O Estado de S. Paulo,

05 de dezembro de 2009 | 12h50

O dramaturgo paranaense Mário Bortolotto, de 47 anos, fundador do grupo de teatro Cemitério de Automóveis e autor de peças como Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet, e o músico Carlos Carcará foram baleados no bar do Espaço Parlapatões, localizado na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo na madrugada deste sábado, 5.

 

PRAÇA NO PALCO - Bortolotto é um dos artistas responsáveis pela revitalização da Praça Roosevelt

 

Segundo o ator e diretor Raul Barreto, sócio do Parlapatões, Bortolotto e Carcará teriam ido para o bar às 2h30, após o término da peça Brutal, escrita pela dramaturgo. O espaço teria, então, sido fechado, mas 25 pessoas permaneceram no local. Às 5h30, a atriz Fernanda D’Umbra, ex-mulher de Bortolotto, e o escritor Reinaldo Moraes chegaram ao botequim. Quando o segurança abriu as portas para recebê-los, quatro assaltantes renderam os três e invadiram o lugar armados.

 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Boletim de Ocorrência (BO) registrado no 4º Distrito Policial (DP), na Consolação, aponta que dois dos bandidos permaneceram no andar térreo do bar, enquanto outros dois levaram o vigilante do estabelecimento para o pavimento superior.

 

Bortolotto e Carcará, que estavam no térreo, teriam desafiado os ladrões: "Vão atirar?" "O que farão com esse revólver?" Foi o que disseram, segundo o relato de Barreto. Os bandidos, então, teriam disparado quatro tiros no dramaturgo (dois acertaram o tórax) e três na perna do músico.

 

O segurança conta, em depoimento feito no 4º DP, que ouviu os tiros vindos do piso inferior. Neste momento, a dupla que estava com ele correu, levando seu paletó e um molho de chaves.

 

Após os disparos, os quatro bandidos, que estariam em uma Parati preta, fugiram. Segundo Barreto, os assaltantes estavam sendo procurados pela polícia após realizar assaltos na Rua Augusta, na região central de São Paulo, naquela mesma noite. O delegado responsável pelo registro da ocorrência solicitou perícia no local e exames de corpo de delito nas vítimas.

 

"Preferia que tivessem roubado tudo, levado tudo, acabado com o teatro, mas que não tivesse acontecido uma coisa tão desagradável com atores depois de um dia de trabalho", afirmou Raul Barreto.

A Polícia Militar, que chegou ao local perto das 5h40, informou que Bortolotto foi levado para a Santa Casa de Misericórdia, na Vila Buarque, em estado grave, onde iria passar por cirurgia, e Carcará para o Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista.

 

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), órgão da Policia Civil, divulgou a foto de um homem suspeito de atirar em Bortollo na madrugada deste sábado. A foto foi retirada das imagens do circuito interno de câmeras do teatro, onde ocorreu o crime. 

 

Bortolotto: rabiscos sobre o perigo da sociedade

 

Escrever textos tradicionais nunca atraiu Bortolotto. Há 28 anos, o dramaturgo coordena o Grupo Cemitério de Automóveis, uma plataforma de lançamentos de livros, peças e shows para todo o Brasil.

Marcado pelo estilo de quadrinhos e do universo de beatniks, movimento cultural dos anos 1960 que critica hábitos materialistas, Bortolotto costuma rabiscar sobre o perigo da sociedade, os bares e a vida dos paulistas.

 

Não é por menos que o artista é um dos responsáveis pela revitalização da Praça Roosevelt por meio do teatro, junto com os grupos Os Satyros e Parlapatões.

 

Atualmente, ao lado do blog Atire no Dramaturgo, no qual ele costuma publicar suas reflexões sobre assuntos de cinema, política e cidades, ele assina o texto do espetáculo A Lua é Minha, em cartaz no Espaço dos Satyros Um.

 

Durante os 28 anos com o Grupo Cemitério de Automóveis, Bortolotto já escreveu mais de 40 peças, na maioria publicadas por pequenas editoras de livros. No total, já acumula quatro livros. Além de atuar, escrever e dirigir, ele participa como vocalista e compositor das bandas Saco de Ratos Blues e Tempo Instável.

 

Texto atualizado às 19h12 para acréscimo de informação

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