Marinha culpa 5 por morte de menina atropelada por jet ski

Um inquérito administrativo aberto pela Marinha responsabiliza cinco pessoas pela morte de Grazielly Lames, de 3 anos, atropelada por um jet ski desgovernado no sábado de carnaval, após a partida ter sido dada por um adolescente de 13 anos. A informação foi dada pela tenente Roberta Lopes Antônio, da Capitania dos Portos. Ela e mais 18 testemunhas prestaram depoimento ontem no Fórum de Bertioga, na primeira audiência sobre o caso.

ZULEIDE DE BARROS, ESPECIAL PARA O ESTADO, BERTIOGA, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h03

A tenente informou que a investigação do caso pela Marinha já foi concluída, em um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), e o processo foi encaminhado ao Tribunal Marítimo. São responsabilizados pela tragédia: o empresário José Augusto Cardoso Filho, padrinho do adolescente e proprietário do veículo; Thiago Veloso, dono da marina; o mecânico Aílton Bispo de Oliveira, responsável pela manutenção; a madrinha do menino, Ana Júlia Campos Cardoso, e a mãe do acusado, que não teve o nome divulgado.

Todos negam responsabilidade no caso. As penas previstas vão da aplicação de uma multa até a cassação da habilitação para conduzir veículos aquáticos.

Os três primeiros já foram indiciados pela polícia por homicídio culposo (sem intenção). Outro acusado é o caseiro, Elivaldo de Moura, que teria ajudado o menino a levar o jet ski até a praia. Já os dois adolescentes envolvidos poderão ser submetidos a medidas socioeducativas.

Emoção. Ontem, o relato mais emocionado foi o da mãe de Grazielly, Cirleide Rodrigues Lames, de 24 anos. Ela denunciou a demora de 40 minutos para a chegada dos paramédicos e a falta de estrutura do Hospital Municipal de Bertioga, cidade onde aconteceu a tragédia. Cirleide também criticou o atendimento na Praia de Guaratuba. A menina chegou a ser socorrida em um helicóptero da PM. "Se fosse um lugar mais bem estruturado, talvez minha filha fosse salva."

A mãe de Grazielly contou também que nunca foi procurada pela família do garoto que deu partida no equipamento náutico, "até para prestar solidariedade". No momento do acidente, ela estava na beira da água com a garota, que, pela primeira vez, ia a uma praia.

De acordo com o advogado da família da vítima, José Beraldo, Cirleide está em tratamento psicológico e tem sido preservada de fortes emoções. Após falar à Justiça, ela deixou o fórum e disse não ter condições de ouvir outros relatos sobre a tragédia.

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