Marido que matou mulher em Minas aparece morto

Empresário foi achado com 9 facadas em motel. Ele estava desaparecido desde a noite do crime e tinha a prisão decretada

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h07

O empresário Djalma Brugnara Veloso, de 49 anos, suspeito de ter matado a sua mulher, a procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, de 35, em um condomínio de luxo em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, foi encontrado morto ontem em um motel. Ele chegou ao local na madrugada de quinta-feira, poucos minutos após deixar a casa onde a procuradora foi morta. Ela foi enterrada ontem no Cemitério Bosque da Esperança, na capital.

Na madrugada de ontem, funcionárias do motel encontraram Veloso na cama com pelo menos nove facadas pelo corpo. Ele ficou todo o dia no quarto sem fazer pedidos. Ao lado do corpo havia uma faca que será submetida a uma perícia para verificar se foi a mesma usada para matar Ana Alice. Ela estava em processo de separação de Veloso e uma semana antes de ser morta registrou queixa contra o marido.

O juiz Juarez Azevedo, de Nova Lima, havia determinado que o acusado mantivesse distância de 30 metros da ex-mulher e não entrasse em contato com ela ou com os filhos de 2 e 4 anos. O juiz foi o mesmo que decretou a prisão preventiva do empresário, na quinta-feira.

Na quarta-feira, Veloso já havia sido intimado a prestar depoimento à Polícia Civil por causa das ameaças de morte. Na mesma noite, ele foi para a residência de Ana Alice e iniciou uma briga, que se estendeu até a madrugada e terminou com o assassinato.

A delegada Renata Fagundes afirmou que já está descartada a presença de outras pessoas na casa. "A motivação seria passional. Um desacerto por causa da separação."

Suicídio. A morte do empresário será investigada pelo Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Belo Horizonte e a delegada disse que ainda não pode atestar que ele se suicidou, mas que "as lesões são de autoextermínio". O corpo de Veloso foi enterrado na tarde de ontem no Cemitério Parque da Colina, também na capital.

Tragédia. Familiares de Ana Alice não quiseram dar entrevistas sobre o caso e apenas divulgaram carta, na qual afirmam que preferem não se manifestar "acerca do fato que culminou em uma tragédia tão dolorosa" para "preservar a integridade psicológica dos filhos" do casal. "Entendemos que essa postura contribuirá para a reflexão da sociedade sobre a violência contra a mulher", diz a nota.

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