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Marido é principal suspeito de matar comissária no interior

Michelli Martins Nogueira foi encontrada dentro de mala em Nazaré; Julio Cesar Arrabal foi achado enforcado na casa em Sumaré

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 12h35

Atualizada às 21h13

NAZARÉ PAULISTA - A comissária de bordo Michelli Martins Nogueira, de 31 anos, foi encontrada morta dentro de uma mala deixada às margens da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior paulista, na noite desta segunda-feira, 9. Horas depois, seu marido, Julio César Arrabal, de 40 anos, foi achado enforcado na casa deles, em Sumaré, também no interior. Para a Polícia Civil, ele é o principal suspeito de ter cometido o assassinato. Em seguida, teria se matado.

Por volta das 19 horas, um casal que havia ido pescar durante o fim de semana voltou à represa para procurar um celular. Perto de um bambuzal, eles avistaram uma mala, de onde pendiam duas pernas humanas. Os dois chamaram a Polícia Militar ainda sem ter a certeza de que se tratava de um cadáver.

Quando os oficiais chegaram ao local, Michelli já estava morta, mas o corpo não apresentava rigidez cadavérica nem sinais de agressão sexual. A comissária tinha, porém, ferimentos na boca e na cabeça.

Segundo a Polícia Civil, a mala provavelmente foi arremessada de uma ribanceira, ao lado da Rodovia Dom Pedro I, na altura do km 50. Perto do corpo, havia outra mala com roupas femininas e documentos da vítima, incluindo um crachá da Azul, empresa aérea em que Michelli era funcionária.

Avisado por telefone pela polícia, um irmão de Michelli foi até a residência do casal, em Sumaré, e estranhou que o carro do cunhado, um Chevrolet Classic, de cor preta, estava estacionado na rua - e não na garagem, como era de costume.

Acionados, os guardas-civis entraram na casa por volta das 2h30 desta terça-feira, 10. Eles encontraram o corpo de Arrabal enforcado por um cinto, que estava preso na grade da escada da sala.

Na casa também foram encontradas marcas de sangue, além de uma garrafa de vodca praticamente vazia, saquinhos plásticos e uma nota de R$ 2 enrolada, o que, para a polícia, seria um indício de que Arrabal pode ter consumido droga antes do crime.

Uma faca com vestígios de sangue também foi apreendida no local. De acordo com o boletim de ocorrência, a cena indica que o homicídio pelo menos começou na residência. O corpo da comissária foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Bragança Paulista, na mesma região, onde passou por exame necroscópico nesta terça.

Investigação. A principal suspeita é de que a comissária tenha sido vítima de crime passional e morta por golpes de um “objeto contundente”.

Segundo investigadores, o carro de Arrabal foi flagrado por um radar da Polícia Rodoviária em trecho próximo do local do crime, na manhã de segunda, mais um indício que aponta o marido como autor do assassinato.

“O próximo passo das investigações é ouvir os parentes da vítima para saber como estava a relação dos dois”, afirmou o delegado Luiz Carlos Ziliotti, titular da Delegacia de Nazaré Paulista, que investiga o caso.

Na residência do casal foi coletado o notebook do marido. Os policiais também apreenderam dois celulares e vão analisar as mensagens enviadas. A hipótese de o crime ter sido motivado por uma possível traição não foi descartada.

Até esta terça, no entanto, Ziliotti afirmou não haver nenhuma informação sobre conflitos recentes do casal. Um dos irmãos de Michelli já prestou depoimento e outro conversou com o delegado por telefone. Aos policiais, foi dito que o casal vivia tranquilamente.

Relacionamento. Segundo a polícia, Arrabal já foi preso por não pagar pensão de dois filhos de relacionamento anterior. Ele estava desempregado e era Michelli quem sustentava a casa.

Em nota, a Azul lamentou a morte da funcionária. “A companhia está prestando toda assistência necessária à família e colaborando com a Polícia Civil, razão pela qual a Azul não vai comentar o assunto.”

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