Marido de jovem morreu em batida com carro

Sem moto própria, rapaz trabalhava havia 8 anos como motoboy. Foi atingido por veículo a caminho do emprego

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

Um telefonema no início da manhã mudou totalmente a relação da dona de casa Amanda da Silva de Moura, de 18 anos, com as motos. Ela sempre gostou de passeios sobre duas rodas e até tentava se aventurar conduzindo. Mas há cerca de três meses foi acordada com a notícia de que seu marido havia sofrido um acidente grave. Ele morreu.

Clarisvaldo Alves Almeida tinha 26 anos quando sofreu o acidente que lhe tirou a vida, na região da Avenida Edgar Facó, na zona norte da capital. Eram por volta de 6 horas quando ele se dirigia para o escritório em que trabalhava como motoboy, no centro da cidade. À noite, para completar a renda, também fazia uns bicos entregando pizza.

Naquela manhã, a moto que pilotava foi atingida por um veículo, que tirou seu equilíbrio e ele acabou caindo. "Depois a gente ficou sabendo que outro carro passou por cima dele. Foi uma coisa horrível", diz Amanda, que estava havia seis anos com o marido, com quem teve um filho, hoje com 4 anos.

Amanda conta que Almeida trabalhava como motoboy havia cerca de oito anos. Apesar disso, nunca teve a chance de fazer os cursos teóricos e de direção defensiva que são oferecidos atualmente pela Prefeitura. "Ele ainda nem tinha conseguido comprar a moto dele. Trabalhava com a da empresa e à noite entregava pizza, sem carteira assinada. Acho que nem falaram pra ele desses cursos. Não sei se ele teria tempo para fazer, mas pelo menos poderia escolher", afirma ela.

A informalidade no emprego faz com que Amanda até hoje brigue com um dos empregadores para receber uma indenização pela morte do marido. Outra dificuldade é o fato de que os dois não eram casados formalmente. "Meu filho recebe uma pensão, mas está difícil sobreviver."

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