Marido de grávida morta em acidente cruzou sinal fechado

Viúvo foi indiciado por homicídio culposo após imagens da CET mostrarem batida; o outro motorista tinha bebido e usado cocaína

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2012 | 03h02

Imagens da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que o marido da comerciante Lilian Maria dos Santos, de 30 anos, que morreu no réveillon em um acidente de trânsito na Saúde, zona sul da cidade, não respeitou o semáforo vermelho e provocou a batida que matou não só ela como o bebê. O viúvo, Landerson Correa Rodrigues, de 37 anos, vai responder por homicídio culposo (sem intenção), com as agravantes de imprudência ao volante e negligência - ela estava sem cinto.

O acidente aconteceu à 1h20 do domingo passado. Médicos do Hospital São Paulo chegaram a fazer o parto de Lilian, que estava grávida de oito meses, mas o bebê morreu horas depois.

A suspeita de que teria sido Rodrigues o principal responsável pelo acidente já havia sido usada como argumento para o relaxamento da prisão do representante comercial Carlos Alberto Aparecido de Souza Dias Fiore, de 29 anos, motorista do Peugeot que bateu no Fiat Idea ocupado por Rodrigues, Lilian, a filha de 8 anos do casal e uma sobrinha. Duas testemunhas ouvidas pela polícia já haviam dado essa informação. "Mas só o testemunho não era suficiente. Precisávamos de outras provas", diz o delegado que cuida do caso, Airton Sante Amore, do 16.º Distrito Policial (Vila Clementino).

Fiança. Mas Fiore ainda é acusado de homicídio doloso (com intenção), porque, pouco antes do acidente, havia bebido e consumido cocaína. Segundo o advogado de Fiore, Sidney Lázaro dos Santos, o representante deixou a prisão ontem perto das 15 horas, após pagar R$ 20 mil de fiança. "Ele está abalado por causa do acidente. Afinal, duas pessoas morreram", diz o advogado.

As imagens mostram o carro de Rodrigues percorrendo a Avenida Abraão de Morais e entrando à esquerda na Avenida Bosque da Saúde. Mas o semáforo ainda estava vermelho quando ele cruzou a via. Antes de avançar, ele ultrapassou dois carros parados no sinal fechado e quase bateu em outro carro antes de colidir com o Peugeot, que aparentava estar em velocidade bem superior à dos demais carros na via.

Rodrigues não fez exame de dosagem alcoólica para comprovar se havia bebido também. À polícia, disse que não. O delegado diz que essa foi uma falha da investigação.

Reviravoltas. O indiciamento de Rodrigues representa a segunda reviravolta no caso. Até anteontem, a polícia tratava o acidente como mais um crime de trânsito decorrente de abuso de bebida alcoólica. No carro de Fiore, a polícia havia encontrado "várias" latas de cerveja.

Além disso, inicialmente a polícia disse que era a grávida quem dirigia o Fiat Idea - informação que chegou a ser registrada no boletim de ocorrência. Mas o próprio marido de Lilian desmentiu isso em depoimento à polícia. Afirmou, no entanto, que o sinal na Saúde estava verde quando ele atravessou o cruzamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.