Maria Rita é reverenciada por 40 mil em homenagem à Elis

Plateia do Parque da Juventude de São Paulo se entregou ao show da cantora em celebração dos 30 anos sem sua mãe

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2012 | 03h01

Era um teste, o maior desde que Maria Rita resolveu vencer seus medos e encarar o repertório da mãe Elis Regina em um palco. O show de São Paulo do projeto Viva Elis foi marcado e desmarcado duas vezes por problemas relacionados à segurança do público. Ontem, a promessa foi cumprida. "Que alívio que deu certo", disse Maria Rita logo no início de sua apresentação.

O Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo, a recebeu com respeito e reverência. Eram cerca de 40 mil pessoas em silêncio sempre quando preciso para ouvir um repertório exigente, de canções nem sempre dançantes, que fizeram parte da carreira de uma cantora que não fez concessões ao pop comercial.

Maria Rita subiu ao palco às 15h09. Repetiu o programa que vem fazendo pelas capitais - Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte - com tanta correção que por vezes ficou burocrático. No próximo domingo, Dia das Mães, ela encerra no Aterro do Flamengo, no Rio, a temporada dos shows patrocinados por uma empresa de cosméticos que homenageia os 30 anos sem Elis Regina.

Foram vários os momentos em que Maria Rita se mostrou emocionada. Ao menos por dois deles, as lágrimas vieram logo depois de respostas esfuziantes da plateia. O primeiro se deu em Como Nossos Pais, com a adesão do público e com a massa de aplausos ao fim.

A plateia era formada por crianças, jovens, adultos, em família, casais ou turmas de amigos, uma gama etária que contradiz a ideia de que Elis não renovou o público. O segundo momento de maior comoção veio com O Bêbado e a Equilibrista e um público já entregue.

Quando se comunicava com a plateia, Maria Rita usava sempre um tom solene. Agradecia os patrocinadores, o irmão João Marcello Bôscoli, idealizador do projeto, e os amigos de sua mãe, como Milton Nascimento.

O Parque da Juventude teve seu maior público em um grande show. Não é um espaço com vocação. Sua área de pista é irregular, o que prejudicou a visão de quem estava distante. O sistema de som passou longe do razoável. O que chegava à plateia vinha fraco demais. A impressão era de que faltava potência, algo que prejudica o artista por maior que seja sua entrega.

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