Marginal só terá obra anticheia após o verão

Equipamentos que funcionam como drenos sob pontes do Tietê para evitar alagamento da via só ficarão prontos no segundo semestre de 2013

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h03

A construção de seis pôlderes - espécie de drenos gigantes - para reduzir o risco de alagamentos nas pistas da Marginal do Tietê só deve terminar no segundo semestre de 2013. O prazo foi divulgado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, quem dirige pela principal via de São Paulo poderá enfrentar o velho problema das enchentes durante as chuvas fortes deste verão, que começa no próximo dia 21.

Esses equipamentos elevarão em 20% a capacidade de vazão máxima do Rio Tietê, segundo a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, reduzindo casos de transbordamento. As estruturas ficarão sob as pontes do Limão (que terá um pôlder), Vila Maria (dois), Vila Guilherme (um) e Aricanduva (dois), pontos baixos que estão entre os que enchem d'água na marginal. Também será feito um dique, tipo de muro de contenção, ao lado do rio. As intervenções custarão R$ 57,7 milhões.

Cada pôlder terá um pequeno reservatório e um conjunto de bombas para sugar poças que se formam na pista. Porém, só um deles, o da margem da Ponte da Vila Maria no sentido Rodovia Castelo Branco, será entregue a tempo de lidar com altos índices pluviométricas, em janeiro. Cada bomba terá capacidade para absorver 400 litros por segundo. Os demais pôlderes saem até setembro.

Durante visita às obras, Alckmin destacou outras ações de combate aos transbordamentos do Tietê. Uma delas é o desassoreamento do rio: entre o ano passado e 2012, 5,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados, fazendo com que a capacidade de vazão voltasse ao patamar obtido após a obra de rebaixamento da calha, na década passada. Outra medida se refere à limpeza de 30 piscinões da região metropolitana.

Devido a isso, Alckmin disse que a cidade vai "enfrentar o verão em uma situação muito melhor". Ainda de acordo com ele, nenhuma intervenção elimina integralmente a possibilidade de alagamentos. "Não sou engenheiro, mas aprendi que não existe obra 100% contra enchentes."

O secretário estadual de Saneamento e Recursos, Edson Giriboni, afirmou que a construção dos pôlderes começaram no meio do ano e que houve problemas no licenciamento ambiental. Sobre a escolha das quatro pontes para os pôlderes, ele disse que os pontos baixos delas inundam primeiro quando o Tietê atinge seu maior nível. A Ponte das Bandeiras já conta com bombas para a remoção de água.

Gambiarra. Mas para o especialista em Hidráulica e Saneamento Julio Cerqueira Cesar Neto, engenheiro e professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), as obras precisariam ter saído muito antes do papel. "O governo deveria ter começado em fevereiro, e não no fim do ano. Isso demonstra que não há preocupação com o problema."

Fazer pôlderes, segundo ele, é um paliativo. "É uma espécie de gambiarra. Para resolver o problema há duas alternativas: ampliar a calha novamente e fazer túnel para jogar o excesso de água de volta no Tietê após Santana de Parnaíba ou mesmo no oceano, descendo a serra."

Previsão. O meteorologista Michael Rossini Pantera, do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), da Prefeitura de São Paulo, disse que o verão na região metropolitana deve ser chuvoso, mas não acima da média. "Os últimos meses ficaram com índices abaixo da média de chuva. Mas com a chegada do verão, isso deve mudar. A previsão é que as taxas retornem à normalidade." De acordo com ele, historicamente, os meses mais chuvosos são janeiro e fevereiro.

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