Marginal: pelo menos 800 árvores já morreram

Menos de seis meses depois do plantio, governo começa a substituir as mudas secas

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

  

 

As equipes responsáveis pela compensação ambiental da Nova Marginal do Tietê - um dos maiores projetos do tipo no mundo - já estão fazendo o replantio de árvores em alguns pontos da via, porque as colocadas originalmente secaram e acabaram morrendo. Cerca de 800 mudas já foram substituídas desde o início deste ano e a previsão é que esse número aumente, pois o serviço de replantio continua sendo feito diariamente.

A reportagem do Estado flagrou o replantio em pelos menos cinco ocasiões nos últimos três dias úteis. Além disso, há árvores secas em praticamente toda a extensão da Marginal do Tietê. A Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) reconhece que está havendo um novo plantio em determinados locais, mas, em relação às árvores secas, informa que nem todas estão mortas e que ainda podem florescer, principalmente após a temporada de outono/inverno. No total, 17 mil mudas foram plantadas até agora como compensação para a nova pista.

Ambientalistas apontam que casos assim são decorrência da falta de acompanhamento adequado para a transferência das unidades para outra região. Nesses casos, não seria respeitado o período de "cura" - tempo que uma árvore precisa ser acompanhada para suprir necessidades de luminosidade e água.

A Dersa, por outro lado, aponta como um dos motivos para o não desenvolvimento de muitas mudas a condição ambiental adversa da região às margens do Tietê. "As margens do Rio Tietê foram usadas como depósito de entulho desde a formação da cidade. Esse monte de lixo acumulado e adensado no solo torna complicada a plantação e a sobrevivência de algumas espécies de árvores", afirma a empresa.

Clima. As condições climáticas também são fatores citados pela Dersa. A empresa acrescenta que uma muda demora entre 90 e 120 dias para reagir com tempo bom, água e calor. No outono e inverno, a reação seria mais demorada. "Um exame mais apurado mostra que as mudas reagem e que as gemas vegetativas brotam normalmente, de acordo com a estação. Portanto, no outono/inverno, a troca é mais lenta por causa da baixa temperatura e pouca água, mas as variedades trocadas são as mesmas."

Os contratos com as duas empresas responsáveis pelo plantio de árvores na Marginal do Tietê somam R$ 43,9 milhões (incluindo o projeto da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste). A Dersa afirma que o replantio é de responsabilidade exclusiva das empresas, sem nenhum ônus para o Estado.

Mesma espécie. A Marginal do Tietê conta hoje com 22 mil árvores. Segundo prevê a exigência do órgão licenciador, as mudas precisam ser obtidas em um raio máximo de 150 quilômetros a partir da cidade de São Paulo.

Há unidades de pau-ferro, pau-formiga, ipê-roxo, ipê-amarelo, quaresmeira, sibipiruna, ingá e gerivá. Segundo a Dersa, as substituições das árvores são feitas sempre por outras unidades da mesma espécie.

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