Marfrig recebe multa de R$ 1 mi após gás tóxico matar 4

O frigorífico Marfrig recebeu ontem multa de R$ 1 milhão por danos causados pelo vazamento de um gás tóxico anteontem no curtume de Bataguaçu, na região leste de Mato Grosso do Sul. O acidente matou quatro trabalhadores e deixou 28 intoxicados. Até as 19 horas de ontem, três empregados continuavam internados na Santa Casa de Presidente Prudente, no interior paulista.

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h05

O valor da multa pode aumentar após a apuração da gravidade do acidente, informou o tenente-coronel Carlos Sebastião Matoso Braga, da Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, responsável por lavrar o auto de infração. "É uma multa administrativa, um ponto inicial para a determinação do real valor do auto, a ser calculado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul)", disse Braga.

A punição pode chegar a R$ 50 milhões. Braga explicou que a multa foi motivada pela poluição do ar causada pelo vazamento do gás durante descarga do ácido dicloropiônico, usado no processamento de couro bovino.

Investigação. Pontos agravantes serão analisados para a elaboração do valor final da penalidade. Ontem pela manhã, três especialistas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo, chegaram a Bataguaçu e estão analisando o local do acidente.

Os especialistas paulistas foram chamados por engenheiros do Imasul e já terão uma questão polêmica para ajudar a esclarecer: o gás que matou os quatro trabalhadores pode ter saído da mangueira do caminhão e não da boca do tanque subterrâneo que seria abastecido pelo produto.

A Marfrig informou anteontem, em nota, que a hipótese provável para a contaminação do ar teria sido uma reação química entre o ácido dicloropiônico e uma substância não identificada, ocorrida no tanque receptor durante o abastecimento por um caminhão-tanque. A suspeita surgiu pelo comportamento do motorista do caminhão, que fechou a mangueira do veículo assim que ouviu gritos de "corre, está escapando gás".

O delegado da Polícia Civil de Bataguaçu, Pedro Arlé Caravina, também tem essa informação e está ouvindo os 25 operários liberados pelos médicos para dar andamento à investigação.

Recuperação. Ontem, um dos três funcionários que estavam internados havia deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os outros dois seguiam na UTI com inflamações nos pulmões.

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