Marcola enfrenta seu 1º júri nesta quinta, mas não vai participar

Ele e Carambola, líderes do PCC, são acusados de comandar o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias

Bruno Tavares e Marcelo Godoy,

01 de outubro de 2009 | 10h49

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Júlio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, começam a ser julgados nesta quinta-feira, 1º, acusados de participação no assassinato do juiz Antônio José Machado Dias. Os dois réus, líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), seriam os mandantes dos quatro homens que executaram o crime às 18 horas do dia 14 de março de 2003. O magistrado levou tiros na cabeça, no braço e no peito quando deixava o Fórum de Presidente Prudente, na região oeste do Estado. Ali Machado trabalhava havia dez anos como responsável pelo execução criminal e era corregedor dos presídios da região, onde esteve presa parte da cúpula do PCC.

 

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O assassinato do juiz é o primeiro júri que Marcola terá de enfrentar. Depois dele, o chefe da facção deve passar ainda por outros dois, por causa de homicídios cometidos na onda de ataques de 2006. Na época da morte de Machado, o réu era já o líder máximo da facção - fazia um ano que José Márcio Felício, o Geleião, e Cesar Augusto Roris da Silva, o Cesinha, haviam sido excluídos do PCC, abrindo caminho para Marcola. "Nenhum conselho de sentença viu até agora as provas que tenho. São irrefutáveis", disse o promotor Carlos Roberto Marangoni Talarico.

 

Talarico vai sustentar diante dos jurados que Marcola e Carambola ordenaram o assassinato do juiz por motivo torpe e não lhe deram chance de defesa. Além de um bilhete apreendido por agentes prisionais no qual um preso informava Marcola sobre a morte do juiz, o Ministério Público Estadual (MPE) dispõe, por exemplo, dos depoimentos de três ex-integrantes da facção que ocuparam posições de comando.

Duas dessas testemunhas eram ligadas a Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu. Este dividia o poder no PCC com Marcola até ser morto em abril de 2005, em uma guerra pelo domínio do tráfico entre lideranças da facção que deixou cerca de 20 mortos. Gulu era apontado pela promotoria como o terceiro mandante do crime, ao lado de Marcola e Carambola.

 

"O Júlio é uma vítima da vaidade de muitos e da falta de escrúpulo de alguns. Estou absolutamente convicto de que ele é inocente", afirmou o advogado Cláudio Márcio de Oliveira. Ele disse que seu cliente foi absolvido da acusação de fazer parte do PCC - de fato, não só ele, como também Marcola, foi absolvido dessa acusação em 2006, antes dos ataques de maio feitos pela facção no Estado. Por fim, Oliveira alegará que, em processo no qual os filhos do juiz pediam indenização ao Estado, este teria se defendido negando que o PCC cometera o crime - o Estado foi condenado a pagar 2 mil salários mínimos de indenização aos filhos do juiz.

 

Depois de ouvir testemunhas, verificar as provas de ambas e assistir aos debates, os jurados vão responder a cinco questões. Na primeira e na segunda decidirão se houve crime. A pergunta decisiva será a terceira, quando os sete jurados vão responder se absolvem ou não os réus. Caso decidam condená-los, eles vão decidir se há circunstâncias que tornam o crime mais grave (motivo torpe e se houve emboscada).

 

Marcola não vai comparecer ao julgamento. Ele pediu a dispensa, o MPE concordou e o juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1º Tribunal do Júri, decidiu que o júri se poderá realizar sem sua presença. Seu advogado, Roberto Parentoni, pediu ainda adiamento do julgamento, o que foi indeferido. Nada impede, no entanto, que só um dos réus seja julgado hoje. Isso pode ocorrer, por exemplo, se houver discordância dos advogados em relação aos jurados escolhidos - se um deles aceitar e outro recusar o mesmo jurado, o júri deles será separado.

 

Embora considere a videoconferência irreversível, o juiz Anderson Filho diz que ainda não há tecnologia capaz de reproduzir a dinâmica de uma sessão do júri. "Para audiências é ótimo, mas, no plenário, as pessoas se deslocam e seria difícil captar e transmitir isso."

 

Já foram julgados pela morte do juiz João Carlos Rangel Luisi, o Jonny (condenado a 19 anos), Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal (condenado a 30 anos), e Ronaldo Dias, o Chocolate (condenado a 16 anos). Adilson Daghia é o único entre os acusados de executar o juiz ainda não julgado.

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