Priscila Mengue/Estadão
Priscila Mengue/Estadão

Marco Zero é derrubado e tirado do lugar após evento na Praça da Sé

Monumento foi atingido por um caminhão que trabalhava na desmontagem de festival de música, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2019 | 01h00

SÃO PAULO - O Marco Zero da cidade de São Paulo, na Praça da Sé, amanheceu danificado e fora do lugar no domingo, 20. O monumento foi derrubado por um caminhão que trabalhava na desmontagem do Festival Dia do Reggae, realizado em parceria pela Secretaria Municipal de Cultura e o Fórum do Reggae no dia anterior.

O Marco Zero foi instalado na praça em 1934. De autoria dos escultores Jean Gabriel Villin e Américo R. Neto, é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) desde 2007.

O monumento histórico tem formato de prisma hexagonal e é revestido de mármore. Ele ficava sobre um pedestal de mesmo material sobre uma rosa dos ventos desenhada no chão, em frente à Catedral da Sé. Na parte de cima, tem uma placa de bronze com um mapa com algumas das principais rodovias do Estado de São Paulo.

“Em cada face do marco, figuras inscritas representam o Paraná por uma araucária; o Mato Grosso pela vestimenta dos Bandeirantes; Santos por um navio, de cujo porto saía o café, maior riqueza do país no período; do Rio de Janeiro recorda-se o Pão de Açúcar e suas bananeiras; Minas Gerais por materiais de mineração profunda, enquanto Goiás é lembrado por uma bateia, material de mineração de superfície”, descreve o site da Prefeitura de São Paulo.

Na tarde de domingo, quando o Estado foi ao local, restava apenas o pedestal vazio, sobre o qual descansavam pessoas em situação de rua. A alguns metros dali, junto a um antigo poste de iluminação, o Marco Zero estava no chão, de cabeça para baixo. Não havia isolamento da área, mas uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM) estava no local. 

“Não entendemos o que era”, conta a turista catarinense Jaqueline Anderson, de 28 anos, que visitava o centro da cidade com o marido. “Viemos para conhecer a Catedral (da Sé) e o Pátio do Colégio.”

O incidente ganhou repercussão nas redes sociais após postagem na página da empresa Giro in Sampa, que realiza tours pelo centro histórico. A publicação foi feita pela historiadora Shirley Damy  que fazia uma visita guiada no local com 10 pessoas, por volta das 12h30, quando se deparou com a situação. “Eu fiquei chocada. Falei este é o Marco Zero de São Paulo. Aí olhei e ‘Cadê o marco? Cadê o marco?’ Fiquei atordoada.”

Guia no centro há 20 anos, Shirley se surpreendeu que ninguém do entorno parecia impressionada com a situação. “Teve uma senhora que subiu para tirar uma foto da catedral. As pessoas nem tinham noção do que estava acontecendo”, conta. “Tenho vontade de chorar, juro. A gente luta tanto pelo patrimônio da cidade.”

Prefeitura registrou ocorrência na delegacia

Por meio de nota, a subprefeitura da Sé lamentou o incidente. “Foi lavrado BO (boletim de ocorrência) e os responsáveis serão identificados e penalizados”, declarou. “Quanto ao marco, por tratar-se de bem histórico,  passará por avaliação do técnico restaurador na manhã de segunda-feira, 21, posteriormente, será avaliado possíveis danos causados, e também precisar a data em que retornará ao seu local original.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.