Marco Aurélio chega para negociar com seqüestrador do ABC

No entanto, PM descarta contato pessoal do superintendente de futebol para não criar um 'fato novo'

Andréia Sadi, do estadao.com.br

16 de outubro de 2008 | 17h40

O superintendente de futebol do São Paulo e vereador eleito pelo DEM na capital paulista, Marco Aurélio Cunha, informou ao estadao.com.br que já ofereceu ajuda ao comando da Polícia Militar no local onde o jovem Lindembergue Alves, de 22 anos, faz a ex-namorada refém há três dias. No entanto, até às 17h40,  polícia havia descartado contato pessoal com o seqüestrador, para não criar um fato novo. Ele disse que está "à disposição" para ajudar nas negociações da libertação da garota Eloá.   Veja também: Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC Em 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamento Jovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o local O mais longo cerco da história da PM  ''Ele não suportou a perda de poder na relação''  Gate queria impedir TV de falar com invasor  No Orkut, solidariedade de estranhos e até propaganda  ''Gosta tanto dela que se desequilibrou''        Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, viu a camiseta do time pendurada na janela e pediu para que Marco Aurélio Cunha fosse até lá. Ele também pediu para assessoria jurídica entrar em contato com a PM, que liberou Marco Aurélio   De acordo com o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Eduardo José Félix, afirmou que a amiga de Eloá, Nayara, de 15 anos, está dentro do apartamento para tentar negociar com o seqüestrador e não é mantida refém.   O seqüestro   O seqüestro começou às 13h30 de segunda-feira. Nayara, de 15 anos, foi libertada às 22h50 e os outros dois colegas que eram feitos reféns, ainda na noite de segunda-feira. Alves está armado com um revólver calibre 38 e uma pistola. O seqüestrador invadiu o imóvel porque estaria revoltado com o término do namoro. Seu objetivo era ficar sozinho com Eloá.Para isso, convidou o irmão da menina, de 14 anos, para ir ao parque jogar bola, mas o deixou lá e voltou. Na hora em que o apartamento - no terceiro andar do bloco 24 - foi invadido, Eloá havia acabado de chegar da escola com Nayara, o namorado dela e um colega. Eles estudam na Escola Estadual José Carlos Antunes e iriam fazer um trabalho de geografia. "Ele disse que ela (Eloá) teve sorte de não estar só. Perguntou quem éramos e deu uma coronhada", contou João (nome fictício), 15 anos, um dos reféns. Para evitar contato com os familiares, tomou os celulares de todos e quebrou o modem do computador. Deu frutas, bolachas e água para eles jantarem.A polícia soube do caso às 20h30, porque o pai de um dos garotos, estranhando a demora do filho, foi ao prédio, bateu na porta do apartamento e ouviu Nayara pedindo para ele se afastar. Ele, então, chamou a polícia. Quando a PM chegou, Lindembergue atirou duas vezes, mas ninguém foi atingido. O Gate começou a negociação por celular. O seqüestrador também conversou com familiares das jovens. O primeiro refém, João, foi solto às 21h15. "As meninas e meu amigo pediram para ele me libertar. Estava passando mal". O segundo foi libertado às 22 horas. Na manhã de terça, Lindembergue apareceu na janela do apartamento. Durante o dia, também mostrou as garotas. Vizinhos e parentes acompanharam as negociações em frente ao prédio.Lindembergue e Eloá namoraram durante três anos. Ele desmanchava e ela reatava. Mas da última vez, ela recusou retomar o relacionamento. Os dois moram no mesmo conjunto da CDHU."Ele disse que só sairia de lá morto, porque para a cadeia não iria", disse o comandante do Gate, Adriano Giovaninni. A polícia desligou a luz às 17 horas de terça. Lindembergue cortou as negociações às 18h50. Às 22h10 o seqüestrador pediu que a luz fosse religada e o Gate negociou a libertação de uma refém. A luz foi religada e às 22h50 de terça, quando ele soltou Nayara.   (Com Ítalo Reis, do estadao.com.br e Marcela Spinosa, do Jornal da Tarde)

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