Marcha na Paulista tem clima 'paz e amor'

Com cartazes bem humorados e sem confusão, passeata pela liberdade de expressão aconteceu após acordo entre PM e organização; 2 foram presos

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Apesar da proibição imposta pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ), a Marcha da Liberdade reuniu cerca de 2 mil pessoas ontem à tarde na região central da capital, em um clima pacífico e festivo e com manifestações a favor da liberdade de expressão e contra a "censura" judicial.

A passeata durou cerca de três horas e foi viabilizada após uma conversa, no início da tarde, dos organizadores com a Polícia Militar. "Não estamos descumprindo a decisão judicial. Estamos aqui para preservar a ordem pública", disse o major Marcos Félix, que comandou 250 policiais que acompanharam o ato.

Os organizadores estimaram de 4 mil a 5 mil participantes - o dobro do cálculo da PM. Após sair do vão livre do Masp, às 16h, a manifestação seguiu pela Rua da Consolação em direção à Praça da República, onde houve a dispersão por volta das 19h.

Durante quase todo o percurso, o clima foi pacífico, recheado de cartazes bem humorados e ironias a políticos - do prefeito Gilberto Kassab (sem partido) à presidente Dilma Rousseff (PT) -, à Polícia Militar e principalmente ao veto do Tribunal de Justiça. A decisão do TJ foi tratada como "censura" e o grito que iniciou a marcha foi "libertar o direito de pensar".

Anteontem, o desembargador Paulo Antonio Rossi proibiu a manifestação ao considerar o ato uma reedição da Marcha da Maconha, que fora proibida pelo mesmo tribunal dias antes sob os argumentos de apologia ao crime e incitação ao uso de drogas. Na ocasião, a PM reprimiu com violência a manifestação, o que gerou uma série de protestos e uma condenação da ação policial feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A repressão à primeira marcha fez surgiu a de ontem, com a proposta mais ampla de defesa da liberdade de expressão. Não houve citações explícitas às drogas e boa parte dos manifestantes marchou com flores. "Enquanto aquela marcha trazia uma demanda de um só setor, esta fala da liberdade e dá voz a vários grupos. Não fui à outra marcha, mas fiz questão de participar dessa", afirmou a professora Diana Pellegrino, de 26 anos, que levou a filha Madalena, de 7 meses.

O evento foi engrossado por entidades da sociedade civil e pelo apoio de políticos e artistas.

O único registro policial ocorreu em frente à Igreja da Consolação: dois jovens de fora da marcha, com roupas de couro e cabeças raspadas, foram presos após chutar um veículo da TV Globo e tentar agredir um cinegrafista./ COLABOROU PAULO SALDAÑA

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