Marcha do MTST bloqueia avenidas de SP

Com protesto, entidade conseguiu que Haddad se comprometesse a criar moradia popular em área ocupada na zona sul

Caio do Valle e Felipe Tau, O Estado de S. Paulo

26 Março 2014 | 22h41

SÃO PAULO - Depois de mais de duas horas de caminhada entre o Largo da Batata, na zona oeste, e o Viaduto do Chá, no centro, bloqueando vias importantes de São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) conseguiu que a Prefeitura se comprometesse a criar casas populares na área da Nova Palestina e a suspender a reintegração de posse da ocupação Dona Déda, ambas na zona sul.

No início da tarde, o prefeito Fernando Haddad (PT) subiu no caminhão de som dos manifestantes e anunciou a decisão. Segundo Haddad, se a Câmara Municipal, na votação do Plano Diretor, decidir transformar a Nova Palestina em uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), uma parte do terreno de quase 6 mil metros quadrados onde vivem cerca de 8 mil famílias será destinada à habitação popular. Antes, toda a área seria transformada em um parque.

O presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), recebeu a liderança do MTST e assegurou que a Casa pretende destinar parte da área para produção de habitação social.

Segundo a Polícia Militar, o ato reunia 1,5 mil participantes às 10h30. Os organizadores disseram ter atraído cerca de 10 mil participantes, principalmente da Nova Palestina.

Os manifestantes partiram da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na altura do Largo da Batata, por volta das 8h50 e passaram pelas Avenida Rebouças e pela Rua da Consolação e Viaduto Jacareí, onde fica a Câmara, antes de chegar ao Viaduto do Chá e à Prefeitura.

Durante a marcha, ao microfone, o grupo entoava gritos como: "O povo na rua, Haddad a culpa é sua". Também havia declarações contra a Copa do Mundo. O trânsito nas vias por onde seguiu o protesto foi bloqueado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A PM acompanhava o grupo com motos e viaturas. Por volta das 11h, uma comissão de 13 representantes de ocupações subiu para o gabinete do prefeito, onde foi feito o acordo para transformar a Nova Palestina em endereço de moradia popular.

Anhanguera. Um outro protesto, que não foi organizado pelo MTST, fechou a Rodovia Anhanguera, na altura de Osasco, pela manhã e reuniu cerca de 150 pessoas, de acordo com a Polícia Rodoviária. A estrada foi totalmente bloqueada no sentido São Paulo entre as 6h15 e as 7h30, segundo a concessionária AutoBAn. O congestionamento chegou a seis quilômetros às 7h45. Houve reflexos na Rodovia dos Bandeirantes, do mesmo sistema, que chegou a somar 17 km de lentidão às 8h30.

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