Marcha da Maconha acaba em tumulto na Paulista

A Polícia Militar e cerca de mil manifestantes entraram em confronto ontem à tarde durante a Marcha da Maconha, na Avenida Paulista. Ao menos dois manifestantes foram detidos e levados ao 78.º DP. Eles foram soltos no fim da tarde. Cerca de 10 participantes tiveram ferimentos leves. Depois de proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na sexta-feira, a marcha fez seu trajeto entre o vão livre do Masp, na Paulista, e a Praça Dom José Gaspar, no centro, como "marcha pela liberdade de expressão".

Guilherme Waltenberg e Mariana Lenharo, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

A Tropa de Choque foi acionada para impedir que os participantes bloqueassem o trânsito e usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os conflitos começaram quando o estudante Alex Soares, de 21 anos, foi preso ao pichar o Masp.

Segundo um dos organizadores do ato, o jornalista Pedro Nogueira, a organização pediu aos participantes para cumprir a ordem de não fazer apologia à droga e nem cometer atos de vandalismo. "Mas não temos como controlar todos", disse ele, ressaltando que a ação da polícia foi abusiva. "Em todas as manifestações, a polícia faz uma raia para isolar o trânsito e ajuda a organizar o ato. Tentei dialogar com eles, mas começaram a jogar bomba."

O mestrando em História Júlio Delmanto afirmou que foi detido quando questionou o capitão Del Vecchio - responsável pela operação - sobre o motivo de a Tropa de Choque ter entrado em ação. "Eles tinham prometido cobertura motorizada da manifestação para zelar pelos manifestantes, mas chegaram lá dispostos a dispersar", disse Júlio.

A Tropa de Choque seguiu o grupo durante todo o protesto, disparando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. O capitão Del Vecchio afirmou que os policiais responderam a agressões dos manifestantes. "Eles desobedeceram a uma decisão judicial, trazendo material que faz apologia ao uso de drogas."

Durante a concentração para a Marcha da Maconha, grupos contrários à legalização das drogas fizeram um protesto contra a marcha. Segundo um de seus líderes, o professor de jiu-jítsu Eduardo Thomaz, a legalização das drogas é um retrocesso na sociedade.

Apesar das trocas de ofensas entre os dois lados, não houve conflitos.

Segundo os integrantes da Marcha da Maconha, no próximo sábado haverá nova passeata pela liberdade de expressão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.