Mapas online têm rotas que não existem

Itinerários ficam defasados após conclusão de obras ou desativação de espaços

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2013 | 02h04

Desça a Rua Cardeal Arcoverde e cruze a Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste. Utilize a Rua Padre Adelino, na zona leste, para atravessar a Avenida Salim Farah Maluf. Quem acessa o Google Mapas para achar um caminho em São Paulo pode ser levado a tentar fazer um desses percursos no trânsito. O problema é que eles não existem mais. Desapareceram nos últimos anos depois de obras viárias, mas ainda despontam como opções válidas, por causa da falta de atualização dos principais serviços de deslocamento da internet.

O Google (mapas.google.com.br) não é o único com informações ultrapassadas em seu mapa paulistano. O da Nokia (m.maps.nokia.com), por exemplo, não é o mais recomendado para quem usa transporte público. A Linha 4-Amarela do Metrô, aberta em maio de 2010 e que já tem seis estações - do Butantã, na zona oeste, à Luz, no centro -, não está visível nele, como as demais.

Já um passageiro eventual da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que consultá-lo poderá pensar que ainda pode pegar a Linha 10-Turquesa para chegar à Estação da Luz. Só que essa conexão deixou de existir há mais de um ano.

No caso do MapLink (maplink.com.br), a situação é oposta. Ali, a Linha 4-Amarela do Metrô até aparece, mas com mais estações do que deveria. É que as paradas Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, Fradique Coutinho, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, que só devem abrir no ano que vem, figuram como disponíveis.

Mas a situação mais emblemática talvez seja a da Ponte Estaiada Governador Orestes Quércia, inaugurada em julho de 2011 pelo governo estadual. A estrutura, que liga a Avenida do Estado à Marginal do Tietê, na região central, ainda não consta do Google Mapas. Isso força motoristas que têm GPS em seus smartphones com Android a usar outras pontes, como a Cruzeiro do Sul, percorrendo uma distância maior. Esse modelo de celular se conecta aos mapas do Google.

Algo parecido se dá com o Viaduto Estaiado Dom Luciano Mendes de Almeida, entregue em agosto de 2011 pela Prefeitura no Tatuapé, na zona leste. Continuação da Rua Padre Adelino, feita para transpor o trânsito pesado da Salim Farah Maluf, ele ainda não está no serviço online.

Rota errada. Para a cicloativista Aline Cavalcante, de 27 anos, que usa o Google Mapas, não são só os motoristas que podem se prejudicar com a desatualização dos mapas. "O caminho errado pode atrapalhar ciclistas que têm compromissos, pois criam um contratempo. Além disso, em vias de tráfego mais intenso, como a Cardeal Arcoverde, você tem de estar no ritmo dos veículos. Muitas vezes, não dá para parar e analisar o entorno."

O trecho da Cardeal entre a Rua Pedro Cristi e a Avenida Faria Lima não existe mais, por causa da reforma do Largo da Batata. Entretanto, ainda aparece como alternativa no Google Mapas.

Na avaliação de Alexandre Campos Silva, professor de Tecnologias da Informação da PUC-SP, esse tipo de problema não é grave nem afasta os internautas. "É um serviço gratuito e o custo-benefício é muito maior do que usar um guia de papel, uma verdadeira Bíblia, como fazíamos 10 anos atrás."

Em nota, o Google informou que ainda não há previsão para atualizar seu mapa. O diretor-geral da Nokia Location & Commerce, Helder Azevedo, afirmou que vai solicitar correções no mapa e o material é atualizado quatro vezes por ano. A MapLink divulgou, por sua vez, que as futuras estações da Linha 4 são mostradas só "como referência de onde serão abertas".

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