Mapa revela 20 pontos violentos no Morumbi

De janeiro a outubro de 2013, foram registrados 2.317 roubos na região

Gulherme Soares Dias, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2014 | 02h03

Nem o filho do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Thomaz Alckmin, de 30 anos, escapou de entrar para as estatísticas de criminalidade no Morumbi, na zona sul da capital, bairro onde fica o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O medo da violência é visível nas tentativas de os moradores se protegerem. Nas ruas, as casas são protegidas por muros altos, cercas elétricas, câmeras e seguranças.

Com base em informações da Polícia Civil e do site SOS Morumbi, o Estado mapeou 20 pontos vulneráveis na região, onde há assaltos a mão armada, roubos e furtos. De janeiro a outubro de 2013, foram registrados 2.317 roubos no Morumbi, 20% a mais do que no mesmo período de 2012, segundo a Secretaria de Segurança Pública, com base nos dados mais recentes por distrito. O crescimento de roubos no período foi 10 pontos porcentuais maior do que a alta geral em São Paulo (10%).

Outra vítima da violência no bairro foi a filha do vice-governador e ministro da Secretaria Especial de Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos (PSD). Maria Cecília Domingos Sayoun, de 33 anos, sofreu tentativa de assalto em abril do ano passado, quando levava o filho de 2 anos à escola e foi abordada por dois homens.

Além dos filhos dos chefes do Executivo estadual, não é difícil ouvir relatos de criminalidade no bairro. Os moradores criaram o site SOS Morumbi e um grupo em rede social para relatar casos de violência e mapear os pontos em que já foram registradas ocorrências. "Essa comunicação rápida e o contato maior entre os moradores dá uma sensação de segurança. É a nossa forma de tentar amenizar o problema", diz o presidente do Conselho Comunitário de Segurança do Morumbi (Conseg), Celso Cavillini.

A Avenida Giovanni Gronchi, que corta o bairro e fica a 1 km do Palácio dos Bandeirantes, tem várias esquinas consideradas críticas. PMs afirmam que os casos mais frequentes na via são de furto de bolsa e celular. "É como enxugar gelo. A gente fica uma semana no ponto com mais ocorrências e na seguinte isso muda", diz um soldado, que não se identificou.

Causa e solução. O sociólogo Luis Henrique Rosim, mestre em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que a convivência de bairro de alto padrão com favela é uma das características que favorece a violência. Localizado em uma das margens da Marginal do Pinheiros, o Morumbi abriga edifícios e casas de alto padrão e é rodeado pelas comunidades de Paraisópolis, Real Park e Jardim Colombo.

"Essa disparidade social contribui. Os casos explodem na porta de quem tem mais dinheiro, em um espaço em que poucos têm carros caros e muitos não têm nem saúde nem educação", afirma Rosim.

Para o presidente da Associação de Moradores do Morumbi e da Vila Suzana (Samovi), Jorge Eduardo de Souza, de 60 anos, a solução para a criminalidade também passa pela questão social. "Fazemos trabalho social em Paraisópolis e acredito que é isso que pode diminuir a violência", diz.

Souza também foi vítima da criminalidade. "Fui pego na entrada do meu escritório. Fiquei cinco horas sob o poder dos bandidos, fui torturado e tentaram me matar", lembra. Ele foi salvo por moradores que viram a situação de violência e ligaram para a polícia.

O delegado do 34.º DP (Morumbi), Paulo Inocêncio Gaeta, ressalta que sequestros seguidos de latrocínio e homicídios têm incidência quase zero na área sob sua jurisdição. "Os carros caros e as casas grandes são muito visados. A maior parte dos crimes é contra o patrimônio", afirma.

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