Mapa expõe o surgimento de um 'novo cangaço'

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2011 | 03h04

Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia, os Estados que ocupam os cinco primeiros lugares no ranking de assassinatos, destacam o Nordeste no cenário criminoso - justamente a região que viveu até as primeiras décadas do século 20 os percalços do cangaço. Na época, os coronéis eram os líderes políticos. Eram apoiados pelos jagunços, aliados armados que garantiam a segurança dos chefes, em troca do sustento. Os cangaceiros eram os rebeldes que se recusavam a fazer parte desse sistema, vivendo de roubos e saques e em permanente circulação pelos sertões.

O novo banditismo cresceu com o aumento da venda das drogas, que é comercializada em pequenas bocas e ajuda a girar outras atividades criminais. Roubos a caixa eletrônico também podem financiar a compra do entorpecente. E outras modalidades mais leves de roubo são cometidas muitas vezes pelos usuários.

Assim como na época do cangaço, os criminosos de hoje também se aproveitam das proximidades das fronteiras, que facilitam a fuga para Estados vizinhos dos que tentam escapar da Justiça. O sucesso de Pernambuco nas políticas de segurança pública é apontado por especialistas, por exemplo, como uma das hipóteses para o aumento das taxas de crime na vizinha Paraíba.

Não se pode dizer, contudo, que se trata de um fenômeno cultural. Tanto que durante os anos 1990, quando a violência no Sudeste explodia, os Estados nordestinos apresentavam as taxas mais baixas de crime. Além disso, a Região Norte, liderada pelos Estados do Pará, Rondônia e Amazonas, têm registrado taxas de crime elevadas - inéditas em suas histórias.

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