Manutenção indevida causou o acidente, diz advogado do Hopi Hari

Segundo Alberto Zacharias Toron, na véspera do acidente alguém liberou a trava do colete do assento que estava há cerca de 10 anos sem funcionar

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

01 Março 2012 | 17h03

O advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, que está defendendo a direção do parque de diversões Hopi Hari, afirmou que a origem do acidente pode estar em uma manutenção indevida feita no brinquedo que matou a adolescente Gabriella Nishimura, de 14 anos. Além disso, ele culpou os funcionários que deixaram a menina se sentar na cadeira que, segundo ele, estava inabilitada há cerca de dez anos.

"Há cerca de dez anos, o parque fez uma verificação nessa cadeira e chegaram à conclusão de que, se uma pessoa alta se sentasse nela de forma errada, ela poderia bater as pernas no chão quando o brinquedo descesse. Então ela deveria ser inabilitada. Ela não tinha nenhum problema a não ser esse", afirmou o advogado. Para impedir então que esse assento fosse utilizado, o parque travou o colete que segura os passageiros, de modo que ninguém conseguisse sentar na cadeira, segundo sua versão. Não havia placa ou sinal para alertar sobre o problema no lugar.

Toron disse que, desde então, 9,2 milhões de passageiros já utilizaram o brinquedo La Tour Eiffel e ninguém nunca havia se sentado na cadeira nesse período. Como Gabriella sentou ali? "O brinquedo sofreu uma manutenção de quarta-feira para quinta-feira (dia do acidente), ou na própria quinta-feira, e parece que alguém destravou inadvertidamente o dispositivo que mantinha o colete travado. Foi um duplo erro: destravaram uma cadeira que não era para ser destravada e os monitores de atendimento que estavam lá na hora do acidente deveriam ter percebido que a cadeira estava sem condições de uso."

Questionado sobre o relato de um dos funcionários do parque - que, em depoimento à polícia, afirmou ter alertado seu supervisor sobre o mal funcionamento da cadeira -, o criminalista afirmou que o supervisor deve ser ouvido para ver se o relato realmente aconteceu. "Se é verdade o que ele falou, tanto ele quanto o superior estão errados, e devem ser responsabilizados. O parque não está isentando as pessoas, e tem total interesse de que se descubra quem foi negligente", disse.

Já sobre a falta do cinto de segurança no brinquedo, Toron explicou que esse equipamento era desnecessário e só foi instalado depois que o brinquedo já estava em operação, como uma medida extra de segurança. "Como essa cadeira estava inabilitada, não fazia sentido ela também receber o cinto."

Ele afirmou que o parque não possui registros do lugar em que cada um dos visitantes se senta e, por isso, não participou da coleta de informações que levou a polícia a fazer a perícia inicial em uma cadeira diferente daquela em que Gabriella estava sentada. "A polícia levou em consideração declarações que ela coletou no dia, de pessoas estranhas ao parque, de visitantes que estavam lá. Foram eles que disseram que ela estava na segunda cadeira da direita para a esquerda, quando, na verdade, ela estava em uma das pontas", alegou.

Segundo Toron, o parque deve sim indenizar a família de Gabriella, mas ele preferiu não comentar qual valor seria o ideal. Ele defende o parque apenas na esfera criminal.

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