Marcos Corrêa/PR
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Doria: Manter tarifa a R$ 3,80 vai exigir recursos na ordem de R$ 550 mi

Prefeito eleito em São Paulo se reuniu com Temer para negociar reembolso de investimentos do Município em obras do PAC

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2016 | 15h54

BRASÍLIA -  O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou, após encontro com o presidente Michel Temer que pediu ajuda econômica ao governo federal, mas reafirmou o seu compromisso de manter as tarifas de ônibus no ano que vem em R$ 3,80. "O presidente Temer vai levar à área econômica a análise de algumas alternativas que foram discutidas previamente aqui", disse.

"Acho que o governo federal vai se manifestar na hora oportuna a respeito", disse, ressaltando que o pleito não é apenas de São Paulo. "Confio que o governo federal saberá olhar isso com generosidade com, sobretudo, um sentimento social para um País que vive lamentavelmente esta situação de desemprego".

Questionado se já teria um plano B para manter a tarifa caso não consiga os recursos federais, Doria disse que está trabalhando "em várias alternativas". "Primeiro, na redução de despesas da própria prefeitura." 

Segundo Doria, o compromisso de manter a tarifa sem reposição inflacionária vai exigir recursos na ordem de R$ 550 milhões. "Este é um problema com a dimensão de São Paulo, mas, repito, é um problema que outras cidades terão num país em recessão, portanto com queda na receita das cidades, na receita tributária e com responsabilidade social também. Vamos fazer um esforço de gestão, independentemente das soluções que hoje foram apresentadas aqui ao governo federal", afirmou.

Doria reforçou que Temer se mostrou sensível com a realidade das contas da cidade e disse que conversaria com a equipe econômica para garantir a liberação ao menos do reembolso de investimentos já feitos pelo Município em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). São R$ 400 milhões, segundo anunciado pelo atual prefeito Fernando Haddad (PT) em janeiro deste ano. O objetivo do prefeito eleito, conforme mostrou o Estado, é conseguir o recurso justamente para custear o congelamento da tarifa de ônibus - promessa feita durante a campanha eleitoral.

"Já antecipamos o pleito aqui ao presidente Temer para que a partir de janeiro a liberação desses recursos que já são consignados para São Paulo possam ser liberados para as respectivas áreas. Houve um assentimento, uma posição bastante favorável do presidente Temer. Ele falará com os ministros das respectivas áreas com o objetivo de dar celeridade a este processo", afirmou, destacando que não houve uma promessa nem um compromisso do governo. 

O prefeito eleito disse ainda que, além da questão de recursos do PAC, os dois trataram na reunião sobre habitação popular e a mudança do endereço do Ceagesp. Segundo ele, o Ceagesp, que pertence ao governo federal, está em uma área estratégica e importante da capital paulista e os dois convergiram "no sentido de que o Ceagesp possa mudar para um outro endereço, provavelmente na região de Perus". "O presidente Temer vai conversar com o ministro Blairo Maggi no sentido de podermos evoluir concretamente, de forma mais célere, numa ideia que aparentemente é conciliatória para todos, governo federal, estadual, e municipal". 

Amigo e aliado. Doria disse ainda que foi ao Palácio do Planalto visitar "um grande amigo" e citou que não frequentava o Planalto há 14 anos, desde a saída de Fernando Henrique Cardoso. Segundo o tucano, ele e Temer se conheceram há 37 anos, durante o governo de André Franco Montoro. "E a oportunidade foi, não apenas de reencontrar um amigo no Palácio do Planalto, como também de tratar alguns assuntos de interesse comum", disse. 

Segundo Doria, na esfera política ficou acertada a união do PMDB e PSDB para a sua gestão. "O PMDB tem dois vereadores que foram eleitos para o novo mandato e que, a partir de janeiro de 2017, passarão a fazer parte da base aliada da gestão que faremos à frente da Prefeitura", disse. 

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