Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Mansões eram esconderijo

Casa usada pelo traficante Polegar tinha três andares, banheira, piscina e vista privilegiada; antes de fugir, ele teria destruído eletrodomésticos

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

Informações de moradores levaram policiais ontem até "mansões" usadas por traficantes no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Por fora, pareciam casas como as outras, com tijolos aparentes e portas de ferro. Mas dentro havia piscinas, churrasqueiras, banheiras de hidromassagem, eletrodomésticos e equipamentos de última geração, academia de ginástica, discoteca, ar-condicionado central e muito Blindex.

Na Favela da Grota, uma casa de três andares seria de Alexander Mendes de Oliveira, conhecido como Polegar e apontado pela polícia como chefe do tráfico na Mangueira que havia fugido para o Alemão. Quatro TVs de LCD, geladeira, fogão de seis bocas e lava-roupas, todos aparentemente recém-comprados e de marcas caras, foram destruídos a tiros e marretadas, possivelmente pelo traficante, antes de fugir, segundo a polícia.

No segundo andar, ele podia tomar banho na banheira de hidromassagem redonda com vista para o teleférico do Alemão. Na cobertura, havia uma piscina que à tarde fez a alegria de crianças e adolescentes do morro. Do terraço, o traficante podia controlar o movimento em um dos principais acessos ao morro, a Rua Joaquim de Queirós. Policiais quebraram partes do teto de gesso e de painéis pintados nas paredes em busca de drogas e armas. "A casa caiu", disse um dos agentes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, os primeiros a chegar à mansão.   

 

Veja também:

link Especial: a semana que mudou a vida carioca

linkAssassino de Tim Lopes é preso

linkDois chefes do tráfico são presos

linkVeja galeria de fotos da operação da PM

  

Em outro local, na Favela Nova Brasília, o traficante conhecido como Gão, acusado de chefiar o tráfico no Morro do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, mantinha uma casa que os policiais definiram como "centro de lazer", para realização de festas e churrascos, com a participação de chefes do tráfico local. No fundo da piscina, que tem um chafariz em forma de golfinho, há um grande G. Havia churrasqueira, pista de dança, banheira e decoração com colunas gregas na ampla casa de dois andares, com vista para o Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão).

"Chegamos depois de receber a indicação de moradores", disse o tenente-coronel Luiz Otávio Lopes da Rocha Lima, comandante do 6.º Batalhão da PM, responsável pela operação. O local se tornou base da equipe policial.

No Morro da Fazendinha, policiais acharam uma vila que seria usada como "hotel do tráfico". Lá, quartos serviriam para depósito de armas e abrigariam um laboratório de drogas. Outra casa, supostamente usada pelos criminosos Fabiano Atanázio, o FB, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, chefes do tráfico no Alemão, teria sido saqueada por moradores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.