Manobra pode atrapalhar finanças, diz ex-secretário

Para especialistas em Economia e Direito Tributário procurados pelo Estado, a manobra da Prefeitura para antecipar o recebimento das parcelas do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI) pode resultar em um desequilíbrio das finanças públicas nas próximas gestões. Isso aconteceria não só por causa do recebimento antecipado dos débitos previstos até 2019, mas também pelo governo criar novas dívidas com os investimentos.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

"O que a Prefeitura está fazendo é criar uma fonte de verba artificial, uma coisa diferente, que pode resolver algo neste momento, mas que depois vai gerar mais despesas", diz o economista Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV e ex-secretário de Finanças de São Paulo (1989-1992). "Por exemplo, se o governo construir um hospital, anualmente vai ter uma despesa com profissionais, remédios e manutenção que será quase igual à da construção. Se construir uma escola, vai ter um gasto quase 70% da obra anualmente com professores e outras coisas. Ou seja, com os investimentos você vai criando mais despesas, que vão ficar para os próximos governos, que por sua vez não terão o dinheiro das dívidas para receber."

Ainda de acordo com Khair, a Prefeitura deveria racionalizar suas despesas para poder fazer investimentos sem ter de antecipar o recebimento do PPI. "Essa fonte que eles querem criar uma hora vai murchar. Ela pode ajudar o governo a fazer maiores realizações, mas lá para frente o dinheiro vai sumir."

O uso no atual governo de um dinheiro previsto para entrar no caixa da Prefeitura nos próximos oito anos também deve abalar os bastidores da sucessão municipal paulistana. A bancada do PT, com dez vereadores, promete obstruir a votação. O partido terá candidato próprio em 2012 - Marta Suplicy e Aloizio Mercadante postulam a vaga. "O Kassab não cuida do presente e agora quer comprometer o futuro", criticou o vereador Antonio Donato (PT).

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