Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Manifestantes tentam invadir a Prefeitura de SP em protesto por moradia

Grupo forçou portas do Edifício Matarazzo e foi contido por guardas civis municipais; vidraças da entrada foram quebradas

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 13h15

Atualizado às 16h46

SÃO PAULO - Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que faziam um protesto por moradia no centro de São Paulo tentaram invadir a Prefeitura na manhã desta quinta-feira, 17. Um grupo que investiu contra as portas do Edifício Matarazzo foi contido pelas grades e pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas acabou vidraças de três entradas principais. Segundo a PM, que ajudou no policiamento, a manifestação chegou a reunir mil pessoas. Não há informações sobre detidos.

A Prefeitura informou em nota que três guardas civis ficaram feridos: um inspetor teve um corte na mão direita, outro inspetor sofreu hematomas na perna esquerda e um guarda apresenta inchaço no pescoço em decorrência de uma paulada.

De acordo com o relato da GCM, os manifestantes cortaram os cadeados das grades com alicate hidráulico e tentaram invadir o prédio. Alguns, ainda segundo os guardas, usaram estilingues para atirar bolas de gude e outros estavam armados com pedaços de pau, barras de ferro e pedras.

Na tarde de terça-feira, 15, cerca de 400 integrantes do mesmo movimento tentaram invadir a Câmara Municipal de São Paulo.

O ato. Os integrantes do MTST chegaram à Prefeitura por volta das 10h30. Eles se concentraram às 9h na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e caminharam até a sede da administração municipal, onde querem uma reunião com o prefeito Fernando Haddad para discutir as reivindicações. Caso não sejam atendidos, representantes disseram que pretendem se acorrentar ao prédio ao Edifício Matarazzo ou montar acampamento.

Na terça-feira, 15, os manifestantes já haviam tentado uma reunião com Haddad, mas, de acordo com Vanessa de Souza, coordenadora estadual do MTST, o resultado foi insatisfatório. "O secretário de Relações Institucionais recebeu a pauta de reivindicações na prefeitura, mas deixou claro que não tinha autonomia para resolver nada e que depois ia dar uma solução."

Para o protesto desta quinta, os manifestantes têm como pauta principal uma solução para 350 famílias que vivem na ocupação Tia Deda, no bairro Parque Ipê, na região do Campo Limpo. Segundo Vanessa, essas pessoas já foram retiradas do local pela Guarda Municipal, mas retornaram por não ter para onde ir.

Participam do protesto moradores de cinco ocupações de São Paulo: a Che Guevara, de Taboão da Serra, a João Cândido, também em Taboão da Serra, a Chico Mendes, em Itapecerica da Serra, a Pinheirinho, em Embu das Artes, a Pinheirinho, da região do ABC, além da ocupação Tia Deda. Os manifestantes também reclamam do atraso de obras em Paraisópolis, como urbanização, asfalto, creche e casas para as pessoas que foram retiradas de outras localidades devido a reintegrações de posse.   Nota. A Prefeitura emitiu um comunicado nesta tarde informando que "repudia a tentativa de invasão de sua sede e as ações violentas que ocorreram durante o protesto". O comunicado afirma que as ações vistas nesta quinta-feira "impossibilitam o diálogo entre a administração pública e os representantes dos manifestantes".

A administração municipal alega que mantém "diálogo permanente" com os movimentos de moradia da cidade, "desde que respeitadas as regras democráticas e pacíficas", e afirma que o grupo organizador do protesto desta quinta, ligado ao MTST, já foi recebido nessa terça-feira, 15.

Colaborou Felipe Cordeiro/com informações da Agência Brasil
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