Manifestantes protestam na rua de Beltrame

Rastro de destruição tomou conta do Leblon e de Ipanema; polícia prendeu 9, mas 8 foram soltos após pagar fiança

Felipe Werneck, Marcelo Gomes / Rio, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h10

Após o caos no entorno da rua onde mora o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ataque à sede administrativa da Rede Globo, no Leblon, zona sul, manifestantes seguiram na madrugada de ontem, pela primeira vez desde o início dos protestos, para a rua onde mora o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, em Ipanema.

Policiais foram surpreendidos pelo grupo, de cerca de 50 pessoas. Manifestantes gritavam "Beltrame, cadê você? Eu vim aqui pra te prender", "Não vai ter Copa" e "Fora Cabral". Em seguida, o quarteirão da Rua Redentor foi cercado por policiais do Batalhão de Choque. Um veículo que lança jatos d'água chegou pela contramão da Rua Aníbal de Mendonça.

PMs lançaram bombas de gás e atiraram balas de borracha contra o grupo, que correu para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Manifestantes gritaram mais uma vez, como já ocorrera no Leblon, para que a polícia levasse a água do Brucutu para a Baixada Fluminense. Em seguida, o grupo caminhou até o 14.º DP, no Leblon, em busca de informações sobre detidos.

Acusado de formação de quadrilha e preso com oito manifestantes que disse desconhecer, Bernardo Soares, de 28 anos, afirmou que PMs forjaram provas. "Somos inocentes. Fomos usados de bodes expiatórios para as pessoas ficarem com medo de ir aos protestos." Dos nove detidos, oito foram soltos após pagar fiança - um tinha explosivo e, por isso, segue preso.

Rastro. O protesto de anteontem, que começou pacífico no fim da tarde e terminou de forma violenta, deixou um rastro de destruição principalmente no Leblon. Inicialmente, após dispersar o primeiro foco de resistência, às 22h45, o Batalhão de Choque não impediu atos de vandalismo. Jovens com rostos cobertos agiram livremente por mais de uma hora, destruindo agências bancárias, lojas e o mobiliário urbano do bairro.

Na Avenida Ataulfo de Paiva, seis agências foram depredadas. O mesmo ocorreu com abrigos de ônibus, lojas, totens de propaganda, relógios e fachadas. Muros foram pichados com "Fora Cabral" e barricadas de fogo impediam a passagem de carros. Segundo a polícia, 25 estabelecimentos foram depredados no Leblon e em Ipanema e duas lojas, saqueadas: Toulon, de roupas, e Lidador, de bebidas.

No tumulto, PMs lançaram bombas de gás em bares tradicionais como o Jobi e a Pizzaria Guanabara, que estavam cheios.

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