Manifestantes ocupam Câmara do Rio após votação da CPI do Ônibus

A Câmara do Rio voltou a ser ocupada na manhã de ontem por 200 manifestantes que protestavam contra a eleição do vereador Chiquinho Brazão (PMDB), da base do prefeito Eduardo Paes, para presidir a CPI dos Ônibus. O presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), e outros parlamentares ficaram acuados pelos ativistas no gabinete da presidência da Câmara e tiveram de fugir por uma porta lateral, escoltados pela PM.

CLARICE CUDISCHEVITCH , CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h12

Alguns manifestantes chegaram a invadir o gabinete de Brazão e pichar paredes, janelas e teto. Um grupo já havia passado a noite anterior no prédio e só foi embora às 4h, depois que a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para fazer a dispersão. Por volta das 21h, o novo grupo ainda permanecia no local.

Os ativistas se concentraram por volta das 8h na frente da Câmara para participar da sessão de instalação da CPI dos Ônibus. Às 9h20, o vereador Eliomar Coelho pediu uma pausa para que as pessoas pudessem entrar. No entanto, os demais vereadores da CPI - Professor Uóston (PMDB), Jorginho da SOS (PMDB) e Renato Moura (PTC), além de Brazão - votaram contra a pausa e aproveitaram para anunciar o voto em Brazão para a presidência, apesar de a sessão não ter sido aberta. Os quatro parlamentares são da base governista e não assinaram o pedido de CPI protocolado pela oposição.

Cerca de 150 manifestantes que estavam do lado de fora entraram no prédio pelo portão lateral. Eles foram até o gabinete de Brazão, picharam uma foto do vereador com suásticas e paredes, janelas e teto com dizeres como "Brazão ladrão" e "poder popular". Os manifestantes, então, seguiram até o corredor que leva à entrada do Salão Nobre, onde aconteceu a reunião, para cercar os vereadores.

Foi quando os PMs chegaram ao local para impedir que o grupo invadisse a sala. Os manifestantes gritavam "Brazão, cadê você? A PM tá aqui pra te prender". Na sequência, representantes dos manifestantes participaram de reunião para reivindicar que a audiência da CPI fosse revogada. Tanto Brazão quanto Uóston adiantaram que não deixarão a comissão. O vereador de oposição Eliomar Coelho estuda deixar a CPI. "Não vou ser recheio de pizza."

Imprensa. Ao mesmo tempo, 40 manifestantes ocuparam o plenário. Eles colaram cartazes com imagens de pizza e "decidiram" que a imprensa poderia acompanhar as discussões "com restrições", sem filmar nem gravar as conversas. Foi quando um grupo de repórteres decidiu deixar o local. O deputado federal Chico Alencar (PSOL) interveio e defendeu a presença da imprensa. Depois de novas deliberações, incluindo proposta (vencida) para que apenas a Rede Globo fosse impedida de entrar, os manifestantes recuaram e convidaram jornalistas para participar do ato.

Às 18h30, depois de 1h30 de reunião com cinco manifestantes, o chefe de segurança da casa, Marcos Paes, e o tenente-coronel Mauro Andrade, comandante do Grupamento de Policiamento de Proximidade de Multidões, anunciaram acordo. "Não há nenhuma conspiração para retirá-los à força", afirmou Andrade.

Os manifestantes reivindicavam reunião com o presidente, Jorge Felipe (PMDB), para pedir a anulação da sessão de instauração da CPI. O vereador Jefferson Moura (PSOL) informou que o presidente marcaria uma reunião para terça-feira, desde que o local fosse desocupado ainda ontem. A 5.ª Vara da Fazenda Pública do Rio negou pedido de reintegração de posse apresentado pela presidência. Já o promotor de Justiça Flávio Bonazza, da 1.ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Capital, enviou ofício ao vereador Jorge Felippe pedindo esclarecimentos sobre a votação da CPI "a portões fechados".

Niterói. A Câmara de Niterói também foi ocupada anteontem, por um grupo de cem pessoas que questionava a concessão das barcas no trecho Rio-Niterói. Não houve resistência da polícia e ontem, às 20h, o grupo deixou o prédio. / COLABOROU FELIPE WERNECK

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