Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Manifestantes interditam avenidas em SP e outras capitais

Na capital paulista, a avenida Vinte e Três de Maio chegou a ficar interdita; no Rio, houve confusão nas imediações da rodoviária

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 07h52
Atualizado 14 de junho de 2019 | 15h15

SÃO PAULO - Protestos contra a reforma da Previdência interditaram algumas avenidas da cidade de São Paulo, na manhã desta sexta-feira, 14. Há atos também no interior do Estado de São Paulo, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Manifestantes interditaram a avenida Professor Francisco Morato junto a Praça Jorge de Lima, por volta das 10h. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que havia 111 quilômetros de congestionamento na cidade. Às 11h, o índice caiu para 87 quilômetros.

Ainda na região, um grupo interditou a rua Alvarenga em ambos os sentidos, junto a avenida Vital Brasil. Um veículo foi incendiado na via. Segundo agentes da CET, algumas pessoas foram vistas jogando gasolina no Escort. Duas foram presas. Por volta das 9h50, a via foi liberada.

Às 12h, a CET registrava 69 quilômetros de vias interditadas na cidade. Às 15h, o índice era de 37 quilômetros.

Segundo a companhia, manifestantes também interditaram a avenida Vinte e Três de Maio, em ambos os sentidos, junto a Praça das Bandeiras, na região central. Por volta das 8h15, a via foi liberada.

Manifestantes ocuparam uma faixa na entrada do Túnel do Anhangabaú, sentido Santana. Por volta, das 9h30, a CET informou que a via foi liberada.

Integrantes do MTST protestaram na Avenida João Dias, sentido Centro, junto ao Terminal João Dias. De acordo com a CET, o grupo chegou a ocupar toda a via, que foi liberada por volta das 9h30.

A avenida Sapopemba, sentido centro, também ficou bloqueada junto a avenida Arq. Vilanova Artigas, na zona leste, mas o tráfego já flui normalmente.

O acesso ao Minhocão, sentido Penha, também ficou totalmente bloqueado e foi liberado por volta das 8h30.

Manifestantes da Frente Povo Sem Medo bloquearam a avenida em frente ao Terminal Ferrazópolis, em São Bernardo do Campo (SP). A coordenadora da Frente, Andreia Barbosa, disse que a ideia era que os condutores participassem do ato. “Sem eles fica difícil. Vamos fazer uma ação simbólica em frente ao terminal", explicou.

Escoltados por viaturas da Polícia Rodoviária Federal, o movimento Povo Sem Medo seguiu pela rodovia Hélio Smidt, no sentido do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo Josué Rocha, coordenador do grupo em Guarulhos, no início da manhã, eles ainda discutiam se iriam encerrar o protesto por lá ou se retornariam no sentido inverso.

Por volta das 6h, manifestantes atearam fogo em pneus no início da rodovia Hélio Smidt. Segundo a assessoria de imprensa da rodovia, os manifestantes lançaram os pneus, atearam fogo e saíram do local. Às 10h, manifestantes chegaram no Terminal 1 do aeroporto de Guarulhos. A pista da rodovia começou a ser liberada. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil acompanharam o ato. O protesto foi encerrado e os manifestantes aguardaram os ônibus do MTST em um gramado nas imediações do Terminal 1.

Por causa do bloqueio parcial da Rodovia Hélio Schimidt, acesso de São Paulo ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, muitos passageiros de voos marcados para esta manhã estão com dificuldade de chegar aos terminais.

A executiva de vendas Mariana França Ribeiro, de 35 anos, que viaja a trabalho ao menos três vezes por mês, contou que, nesta sexta, levou mais de duas horas para chegar no aeroporto. "Geralmente, demoro 50 minutos".

Ela afirma que a rodovia chegou a ser totalmente fechada, mas que a Polícia Rodoviária Federal agiu para garantir o fluxo de ao menos uma faixa. "Temos uma convenção neste fim de semana em Trancoso (na Bahia) e nosso voo sai daqui a pouco. Muitos dos nossos colegas que vêm do interior ainda não conseguiram chegar. Mas já sabíamos da greve, então eu sai bem mais cedo", disse.

A pista expressa da rodovia Anhanguera, sentido São Paulo, está totalmente bloqueada na altura de Campinas, entre os quilômetros 107 e 98.

Cerca de 30 manifestantes caminham pelo acostamento da rodovia Régis Bittencourt na altura do Km 271, sentido São Paulo, em direção ao km 269, Largo do Taboão da Serra.

Por volta das 6h, manifestantes atearam fogo em pneus no início da rodovia Hélio Smidt. Segundo a assessoria de imprensa da rodovia, os manifestantes lançaram os pneus, atearam fogo e saíram do local.

Um grupo de manifestantes do Sindicato dos Eletricistas interditou uma faixa da Avenida Tiradentes, sentido centro. O grupo caminha em direção ao INSS, na região central da cidade.

Na Avenida dos Estados, em Santo André, um grupo ateou fogo em pneus na altura da Avenida Antonio Cardoso. Bombeiros controlaram o fogo por volta das 6h45.

Interior de São Paulo

Um grupo incendiou ônibus de serviços de transporte coletivo, na madrugada desta sexta-feira (14), em ao menos quatro cidades do interior, horas antes de ter início a greve em protesto contra a reforma da previdência. Em Sorocaba, dois ônibus foram incendiados no Parque Vitória Régia, zona norte da cidade. Um dos veículos incendiados desceu pela rua e atingiu uma casa. O fogo se espalhou, mas ninguém ficou ferido.

A Guarda Municipal de Sorocaba apreendeu pregos retorcidos, chamados 'miguelitos' lançados em uma avenida de acesso a indústrias e à prefeitura da cidade. Três carros tiveram pneus furados. Em Alumínio, um ônibus de uma empresa de fretamento foi incendiado próximo da região central. Houve ataque também em Votorantim. Um ônibus usado no transporte de funcionários de uma empresa foi incendiado no Parque Real. Ninguém foi preso.

Em Jacareí, no Vale do Paraíba, um micro-ônibus de uma empresa de fretamento foi incendiado durante a madrugada no bairro Nova Jacareí. O veículo estava estacionado em frente à casa do motorista. Em todos os casos, a Polícia Civil encaminhou equipes para realizar perícia nos veículos. Inquéritos vão apurar se os ataques têm relação com os protestos contra a reforma da previdência.

Brasília

A greve geral convocada pelas centrais sindicais em protesto contra a reforma da Previdência atinge em Brasília, principalmente, serviços de transporte e educação pública. Apesar de decisões judiciais, os ônibus coletivos não circularam nesta manhã e o metrô, que já estava em greve, segue com a operação padrão nesta sexta-feira, com 75% dos trens funcionando nos horários de pico e apenas 30% nos demais horários. Algumas escolas públicas em diversas regiões administrativas no Distrito Federal também suspenderam as aulas.

Por enquanto, não há manifestação marcada ao longo do dia, mas protestos pontuais têm reunido pequenos grupos em pontos do Distrito Federal e entorno. 

Rio de Janeiro

Um protesto pela greve geral provocou confusão na manhã desta sexta-feira nas imediações do Terminal Rodoviário do Rio de Janeiro, na região central da capital fluminense. Manifestantes que bloqueavam o trânsito em um dos acessos da Avenida Brasil, uma das principais vias expressas da cidade, foram dispersados por policiais militares com bombas de efeito moral. Foram ouvidos pelo menos cinco estrondos, e houve correria. Não há informações sobre feridos. 

O grupo, com cerca de 50 pessoas, protestava em frente ao Instituto Nacional de Traumatologia (Into), na zona portuária, causando lentidão no trânsito na saída da Ponte Rio-Niterói. Após o tumulto, os manifestantes foram para o terminal rodoviário, incluindo alunos de institutos federais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professores.

Segundo integrantes do protesto ouvidos pela reportagem, o grupo tinha acordado com a própria Polícia Militar que sairia do Into e faria uma caminhada em direção à rodoviária, ocupando apenas uma pista da avenida. No entanto, em determinado momento, os manifestantes foram surpreendidos pela chegada de agentes do Batalhão de Choque já soltando bombas de efeito moral. O trânsito foi liberado no local.

Manifestantes também interditaram na manhã desta sexta-feira a rodovia BR-101, na altura do quilômetro 76, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. O protesto teve início às 5h, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Cerca de 25 manifestantes atearam fogo a objetos na rodovia. O tráfego de veículos foi totalmente interrompido em ambos os sentidos. Os policiais liberaram a pista ao trânsito pouco antes das 8h, mas houve congestionamento na via, que se estendeu por cerca de seis quilômetros nos dois sentidos da rodovia. 

Uma mulher de 35 anos foi atropelada na manhã desta sexta-feira durante a manifestação . Imagens nas redes sociais mostram um veículo avançando em alta velocidade pela avenida Marquês do Paraná, no bairro de Icaraí, em Niterói. No local havia um protesto organizado por estudantes e funcionários.

Segundo o Corpo de Bombeiro, Kate L. Costa foi socorrida pouco depois das 7h da manhã. Ela foi encaminhada ao Hospital Estadual Azevedo Lima. Até o momento, não há informações sobre seu estado de saúde.

Belo Horizonte

Funcionários da Refinaria Gabriel Passos em Betim, na Grande Belo Horizonte, fizeram manifestação na BR-381, nos dois sentidos da estrada, alternadamente, em frente à planta. Em Congonhas, Região Central do estado, participantes do protesto ocuparam parte da BR-040, segundo informações da concessionária da via. O ato foi encerrado às 9h.

Porto Alegre

O dia começou com protestos e bloqueios em frente às garagens de ônibus de Porto Alegre e cidades da região metropolitana, Vale dos Sinos e região da Serra. Com o apoio das Centrais Sindicais, motoristas e cobradores da Viação Teresópolis Cavalhada situada na zona Sul da capital, bloquearam a garagem da empresa e impediram a saída dos coletivos. O protesto ocorreu por volta das 5h desta manhã. Policiais Militares utilizaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes que revidaram jogando pedras.  Na ação, alguns PMs ficaram feridos e mais de 50 pessoas foram detidas devido aos transtornos causados. Já em frente à garagem da Carris no bairro Paternon, região leste da cidade, a situação foi similar. Grevistas que bloqueavam a saída dos ônibus foram alvejados com jatos de água por policiais militares.

Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), as garagens das empresas Presidente Vargas e Gasômetro também ficaram bloqueadas. A obstrução ocorreu até as 6h30 desta manhã e agora as linhas de transporte coletivo estão operando normalmente em Porto Alegre, porém com atrasos. A expectativa da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) é que a situação se normalize ainda pelo turno da manhã. 

Na Serra gaúcha, em Caxias do Sul, professores ligados ao CPERS/Sindicato realizaram piquetes desde as primeiras horas desta sexta-feira, 14, em frente às garagens de ônibus em apoio à greve. O grupo é contra a Reforma da Previdência e cortes na Educação. 

A Trensurb, que interliga seis municípios entre a capital gaúcha e Vale dos Sinos amanheceu com os portões fechados nesta sexta-feira, 14, prejudicando o deslocamento de milhares de passageiros que dependem exclusivamente deste modal de transporte. Em Sapucaia do Sul, no Vale dos Sinos, seis pessoas foram detidas por policiais militares acusadas de atear fogo nos trilhos do trem. Segundo a Polícia, os detidos (3 homens e 3 mulheres)  são servidores da Trensurb. Por volta das 07h45, as estações da Trensurb foram abertas para atender os passageiros e não ha cobrança de tarifa até o momento. No entanto, 15 dos 40 trens que integram a empresa estão em operação em horário reduzido. 

Por volta das 6h45 desta manhã, na zona leste da capital gaúcha, manifestantes realizaram barricadas com queima de pneus na avenida Bento Gonçalves (sentido bairro-centro) prejudicando o transito no local.

A Brigada Militar (BM) também informou que seis pessoas foram presas em flagrante por atear fogo nos trilhos da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), em Sapucaia do Sul, na região metropolitana, na madrugada desta sexta-feira. 

Funcionários da Trensurb que foram presos ateando fogo na linha de trem em Sapucaia do Sul:

  1. Clóvis Nei Cardoso Pinheiro
  2. Lucas Corrêa Viegas
  3. João Luiz de Souza Kurkowisk
  4. Raquel Krumber da Silveira Barbosa
  5. Maria Angelica Silveira do Amaral
  6. Lourdes Noêmia Jung

A Assessoria de Imprensa confirmou ao Estado que todos são servidores da Trensurb e que “no momento, a empresa está avaliando as medidas cabíveis em relação a esses empregados”.

Caxias do Sul

A greve geral deflagrada nesta sexta-feira já ocasionou reflexos no município de Caxias do Sul, na Serra. Dezenas de manifestantes bloquearam a entrada da garagem da empresa de ônibus Visate, no bairro Esplanada, mesmo assim os coletivos conseguiram deixar da empresa por um portão secundário, por volta das 5h45 desta manhã. 

Grevistas também bloqueiam pelo menos seis pontos da BR-116, RSC-453 e ERS-122 desde as primeiras horas desta sexta-feira. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, na BR-116, os bloqueios devem se estender até as 10h. Os protestantes estão liberando apenas a passagem para ambulâncias veículos com cargas perecíveis. Veja outros bloqueios nas rodovias federais do Rio Grande do Sul. As informações são da Polícia Rodoviária Federal.

  • BR-116 próximo à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) em Esteio
  • BR-116, no km 142, 9, em Caxias do Sul
  • BR-116, no km 146, em Caxias do Sul (em frente à empresa Guerra)
  • BR -116, no km 154, 3, em Caxias do Sul (Trevo da Madal)
  • BR-287, em Santa Maria (Campus Ulbra)
  • BR-290, no km-127, em Nova Santa Rita
  • BR-293, no km 137, em Candiota
  • BR-392, no km 61, em Pelotas (Ponte São Gonçalo)
  • BR-116, no km 262, em Canoas
  • BR-290, no km 127, próximo à Charqueadas
  • BR-290, no km-130
  • BR-386, no km-432, em Nova Santa Rita

Colaboraram Ana Paula Niederauer, Bianca Gomes, Marcio Dolzan, José Maria Tomazela, Luciano Nagel, Leonardo Augusto, Renata Okumura e Daniela Amorim

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