Mônica Reolom/Estadão
Mônica Reolom/Estadão

Manifestantes fazem festa junina no último ato contra a Copa em SP

Imagem do Secretário de Segurança Pública foi usada na brincadeira boca do palhaço; ato foi organizado contra a prisão do estudante Fábio Hideki Harano

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

12 Julho 2014 | 20h18

O último ato contra a Copa do Mundo em São Paulo foi em clima de confraternização. Inspirados na festa junina, os organizadores do protesto, do movimento Se não tiver direitos não vai ter Copa, penduraram bandeirinhas nas cores do Brasil na praça Roosevelt, no centro da capital, bem na hora em que começaria a disputa de terceiro e quarto lugar da Copa do Mundo. 

A imagem do Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, estava servindo como a brincadeira boca do palhaço, em que os participantes tentavam acertar bolas de papel em sua boca aberta. A imagem é uma crítica à atuação da Polícia Militar nas manifestações. 

A cadeia, outra brincadeira típica de festa junina, foi representada com grades em cima de um banco - atrás delas, como se estivesse detido, estava o Ronaldo fenômeno, em uma foto gigante. O jogador declarou recentemente que manifestantes são vândalos e mereciam apanhar. Tinha música e, entre os cerca de 100 participantes, alguns vestiam chapéus de palha. 

O ato foi organizado contra a prisão do estudante de jornalismo e funcionário da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki Harano, de 26 anos, e do professor Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos. Os dois foram presos e indiciados por associação criminosa no dia 26 de junho após a dispersão de um protesto contra a Copa do Mundo na Avenida Paulista, região central da cidade. Eles são acusados de serem adeptos da tática black bloc, mas a defesa nega.

Intitulado "Grande formação de quadrilha pelos presos políticos", o ato fazia referência à quadrilha de São João e, ao mesmo tempo, ao tipo de associação de que são acusados os dois detidos.

Além dos enfeites em verde e amarelo, também eram exibidas faixas em que se lia: "libertem nossos presos políticos", "pelas liberdades democráticas" e outras com as palavras "repressão", "demissões" e "prisões".

Sobre a escolha por um ato simbólico e festivo, um integrante do coletivo Território Livre afirmou que "não sobrou outra opção". "Impediram (os policiais) que outro ato nosso saísse e reprimiram o ato debate que organizamos. A repressão está num nível absurdo", afirmou Rafael Padial. 

O estudante Luiz Dantas, de 19 anos, estava com roupas rosa choque em "homenagem" à tropa policial. "O Choque não vem sempre nos nossos eventos? Então agora ele apareceu por conta própria", brincou ele, referindo-se a si mesmo como "Chok".

O personagem ainda seria responsável por fazer um casamento simbólico de Dilma e Alckmin, que segundo os organizadores são culpados pela repressão aos protestos.

A Polícia Militar não fez policiamento ostensivo ao redor do ato. Os PMs se concentraram ao redor da praça e não eram vistos no momento do ato.

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