Monica Reolom/Estadão<br>
Monica Reolom/Estadão

Manifestantes fazem ato em SP contra o massacre do Carandiru

Cerca de 250 pessoas, segundo a PM, participam do protesto; a Tropa de Choque acompanha o ato

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2014 | 18h37

Atualizada às 22h08

SÃO PAULO - Cerca de 250 pessoas, segundo a Polícia Militar, fazem um ato na noite desta quinta-feira, 2, contra o massacre do Carandiru, que completa 22 anos. Os ativistas estimam que 500 pessoas estejam presentes. Os manifestantes se concentraram na Estação da Luz e seguiram em direção à Prefeitura. 

A Polícia Militar acompanha a manifestação. Segurando uma faixa com os dizeres "nossos mortos têm voz", integrantes de diversos coletivos, maioria jovens, fazem referência ao massacre. A banda da Fanfarra do Mal toca tambores e canta, como de costume nos protestos do MPL.

"Estamos aqui para relembrar a maior vergonha que já aconteceu no Estado de São Paulo. Temos a certeza de que nossos mortos têm voz. Estamos aqui e aqui caminhamos para que nunca mais aconteça. Levaram nosso filhos, pais, avós e bisavós. Todos mortos no mesmo dia. Esse dia longo do ano que persiste em não acabar. Mortos pelas mesmas mãos que mudam de corpo, que tem leis, direitos e armas a seu favor. De gente que dá nome a ruas e estradas. Mas lembrem que foram nossos filhos que morreram e não viraram monumento nem ruas. Não vamos esquecer", disse Débora Maria da Silva, de 55 anos, coordenadora do Mães de Maio. A fala dela foi feita em jogral, em que os outros repetiam as frases, antes de iniciar o ato.

Depois de percorrer ruas do centro, a manifestação chegou na esquina da Avenida Tiradentes com a Rua João Teodoro. Os manifestantes ocuparam a avenida e bloquearam a passagem dos carros em todos os sentidos. Eles também fizeram uma intervenção artística com teatro e falas contra a polícia na esquina da Rua Mauá com Florêncio de Abreu.

Por volta das 20h50, os manifestantes chegaram em frente à Prefeitura de São Paulo, no Vale do Anhangabaú. Os ativistas gritavam: "quem matou o camelô? Foi o Haddad". Eles se referiam ao ambulante morto por um policial durante Operação Delegada no bairro da Lapa em 18 de setembro. 

"Em decorrência a sua morte, todos nós falecemos", disse um dos manifestantes. Eles fizeram um minuto de silêncio e marcaram um ato pela morte do ambulante no sábado às 14h na Rua 12 de outubro, local do homicídio. 

Em frente à Secretaria de Administração Penitenciária, na rua Líbero Badaró houve um princípio de tumulto entre manifestantes e a PM por volta das 21h30. Um manifestante tentou escrever com tinta as palavras "111 mortos" na rua, o que estava sendo feito desde o começo do ato, quando um PM decidiu detê-lo. 

Um fotógrafo tentou fazer o registro, houve empurra-empurra e o PM jogou gás de pimenta nos olhos do fotógrafo. O comandante da operação conteve os ânimos. De acordo com os manifestantes e os fotógrafos, a ação do policial foi desnecessária.

Depois da confusão, os manifestantes acenderam velas em frente à SAP em memória às vítimas do Carandiru e da polícia em geral. Os manifestantes leem os nomes das pessoas que foram mortas no massacre. 









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