Manifestantes da USP planejam fazer passeata até a Paulista

Assembléia às 10h30 decidirá ações desta quarta-feira, após o violento conflito com a PM no campus Butantã

10 Junho 2009 | 08h07

Funcionários e estudantes da USP se reunirão às 10h30 desta quarta-feira, 10, para decidir quais ações serão tomadas após o violente conflito entre a Força Tática da Polícia Militar (PM) e manifestantes desta terça-feira, 9, que deixou seis feridos. Uma passeata até a avenida Paulista e o pedido de impeachment da reitora são duas possibilidades, segundo afirmou o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho, em entrevista à Rede Record na manhã desta quarta-feira.

 

Magno disse a reitora Sueli Vilela não teria mais "condição moral" de continuar no cargo após o entrada da PM no câmpus e que diretores de unidades teriam apoiado o impeachment. Magno relatou que o conflito foi iniciado quando policiais provocaram uma estudante enquanto os manifestantes voltavam da manifestação. Os manifestantes reagiram com palavras de ordem contra à PM, que teria iniciado o ataque com bombas de efeito "moral", balas de borracha e gás lacrimogêneo.

 

Três pessoas foram detidas e, após assinar termo circunstanciado, liberadas no início da noite. O ex-funcionário da USP Claudionor Brandão, demitido em 2008, diretor do sindicato dos funcionários (Sintusp), o técnico do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) Celso Luciano Almeida da Silva e o estudante da FFLCH José Ailton Dutra Junior deverão responder por danos ao patrimônio público, desacato à autoridade e resistência à prisão.

 

Os funcionários da USP estão em greve há mais de um mês. Professores e alunos aderiram ao movimento na última sexta-feira, 5. Nesta terça-feira, por volta das 17h, começou o confronto. À tarde, o protesto, que começou de forma pacífica, contava com alunos e funcionários da Unesp e Unicamp. Quem passava pelo local recebia flores.

 

"Minha filha estuda na escola de Educação, só há crianças e adolescentes lá dentro, como eles podem jogar bombas?", gritava a jornalista e sindicalista Rosana Bullara. "Havia só seis policiais, quando os estudantes gritaram ´fora PM´, porque essa é mesmo uma de nossas reivindicações, e a PM veio com toda a violência", completou ela.

 

A PM diz ter reagido às provocações dos alunos. "Na volta da manifestação, eles (alunos) provocaram os policiais motociclistas que estão garantindo a circulação. Acuaram os policiais que pediram socorro e a Força Tática teve que socorrê-los", disse o coronel Claudio Miguel Longo, comandante do 4º batalhão da PM. "O que fizemos foi tentar tirar os policiais do meio daqueles vândalos, porque aqueles não são estudantes." A polícia está desde a semana passada na USP ocupando prédios como o da reitoria e deve permanecer para cumprir ordem expedida pela 13ª Vara da Fazenda Pública, de reintegração de posse e resguardo do direito de ir e vir.

 

Por volta das 19h, os alunos subiram em direção à Faculdade de História e Geografia enquanto os policiais se posicionaram em rua próxima. Houve novo confronto, só solucionado com a intermediação de deputados e professores. Após as 20h, o reforço policial deixou o câmpus.

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