GABRIEL SCHLICKMANN/ISHOOT PAGOS
GABRIEL SCHLICKMANN/ISHOOT PAGOS

Estátua de Borba Gato é incendiada em São Paulo

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública policiais fazem buscas por imagens e informações; grupo postou em rede social fotos e vídeos do ato

Emilio Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2021 | 15h40
Atualizado 27 de julho de 2021 | 10h46

Cerca de 20 pessoas atearam fogo em pneus na base da estátua do Borba Gato, localizada na zona sul de São Paulo, no inicio da tarde deste sábado (24). De acordo com a Polícia Militar, o monumento foi danificado e ninguém foi detido.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi enviada ao local às 14h06 e o fogo foi extinto rapidamente. Não houve registros de feridos ou qualquer outro incidente.  

Um grupo chamado Revolução Periférica postou fotos e vídeo da estátua em chamas, no Instagram. Apesar de não assumirem a autoria do ato, em uma das imagens é possível ver os pneus já pegando fogo com pessoas vestidas de preto e uma faixa com o nome do grupo e a frase: "A favela vai descer e não será Carnaval".

A reportagem entrou em contato com o grupo, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "Policiais civis do 11º Distrito Policial (Santo Amaro) e do 1º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano realizam diligências em buscas de imagens e informações que possam ajudar na identificação e localização dos autores do ato de vandalismo nas proximidades da estátua do Borba Gato".

Segundo a pasta, "por volta das 13h30, um grupo desembarcou de um caminhão e espalhou pneus pela via e nos arredores do monumento, ateando fogo na sequência. Policiais militares e bombeiros chegaram rapidamente ao local e controlaram as chamas e liberaram o tráfego. Não houve feridos e nem detidos. O caso está sendo registrado no 11º Distrito Policial (Santo Amaro) que ficará responsável pelas investigações."

Nas redes sociais o incêndio levantou novamente a discussão sobre o papel de Borba Gato na escravidão de índios e negros no Brasil. 

Borba Gato foi um bandeirante paulista que no século 18 caçou indígenas e negros. Atualmente, o papel desses pioneiros na interiorização do país é conhecido e a condição de símbolo do Estado é questionada.  

Os bandeirantes eram homens que trabalhavam na região sudeste com a exploração de minériosescravização de indígenas e captura de escravos fugitivos no século 17. São Paulo estava na margem da colônia brasileira; foi, por muito tempo, uma região indígena e jesuítica, e veio a se urbanizar com maior intensidade apenas no final do século 19.

Não eram, contudo, conhecidos como “bandeirantes” durante a época em que atuaram. A historiadora Iris Kantor, professora de historiografia colonial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), reforça que o termo foi cunhado por historiadores contemporâneos, como Affonso Taunay, que dirigiu o Museu Paulista a partir de 1917. Até então, eram conhecidos apenas como “paulistas” ou sertanistas. Neste episódio do podcast Na Quarentena, o pesquisador Paulo César Garcez Marins, da USP, conta essa história.

‘Monumento às Bandeiras’ e ‘Borba Gato’: como são essas estátuas e onde estão localizadas em São Paulo

Localizado na praça Armando Salles de Oliveira, parte do complexo do Parque Ibirapuera, na zona sul da cidade, o Monumento às Bandeiras é uma obra esculpida em granito por Victor Brecheret (1894-1955). A escultura foi inaugurada em 1954 em comemoração aos 400 anos de São Paulo. Nela, se pode ver um bandeirante, montado em um cavalo, à frente de um grupo formado por indígenas, mamelucos e portugueses que puxam uma embarcação.

Já a estátua que representa o bandeirante Manuel de Borba Gato está situada entre as Avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro, também na zona sul. A peça de cerca de 13 metros de altura, contando o pedestal, esculpida em argamassa e trilhos, foi criada por Júlio Guerra (1912-2001) e concluída em 1963.

As homenagens aos bandeirantes, contudo, não param apenas nessas esculturas: a sede do governo do Estado é conhecida como Palácio dos Bandeirantes. As principais rodovias de São Paulo também têm nomes que remetem aos sertanistas – como AnhangueraFernão Dias e a dos Bandeirantes.

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