Epitacio Pessoa/AE–28/5/2011
Epitacio Pessoa/AE–28/5/2011

Manifestações já devem começar no próximo sábado

Haverá eventos em pelo menos 40 cidades, incluindo São Paulo; líderes pró-legalização de drogas ainda temem repressão policial

Felipe Frazão e Eduardo Roberto, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Liberada ontem por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a legalidade de passeatas sobre drogas como livre manifestação do pensamento - e não apologia ao crime -, a Marcha da Maconha estará presente na Marcha Nacional da Liberdade, passeata que deve reunir milhares de pessoas em 40 cidades do País no sábado. Em São Paulo, a partir das 14h, o palco será a Avenida Paulista.

Grupos em prol da legalização do consumo de drogas lideram a manifestação. Ela foi criada por causa da repressão policial à Marcha da Maconha no dia 21 de maio. Eles declaram, no entanto, que não formam uma Marcha da Maconha reeditada, porque a pauta também tem reivindicações de ciclistas, músicos, homossexuais e minorias e exige a liberdade de expressão.

Integrantes da Marcha da Maconha prometem exibir cartazes e cânticos para levar o debate sobre as políticas públicas de drogas às ruas.

Participação. O "bloco da Maconha" ainda estará presente na Parada Gay na Avenida Paulista, marcada para o dia 26. Eles confirmaram a realização de uma segunda edição da Marcha da Maconha no dia 2 de julho na capital paulista.

"Imaginávamos que o Supremo Tribunal fosse ter o entendimento de defender a Constituição, que era o nosso também," disse a organizadora Juliana Machado, do coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR).

Outros organizadores da marcha em São Paulo comemoram o parecer favorável do Supremo. "Finalmente uma decisão do STF vai impedir que tribunais regionais proíbam um ato de liberdade de expressão", disse Gabriela Moncau.

Com a decisão, a organização das marchas afirma que poderá concentrar-se mais no debate da legalização da droga "em vez de gastar energias lutando pelo direito de debater".

Polícia. Entretanto, mesmo com o direito da manifestação garantido pelo STF, eles ainda temem a repressão policial. "Conseguimos uma ferramenta jurídica importante, mas, apesar do respaldo jurídico, pode haver sim repressão," disse Gabriela.

No mês passado, após o protesto ser barrado por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo e ter o nome mudado para Marcha pela Liberdade de Expressão, um ato pela liberação do uso da droga acabou em confronto. Bombas de efeito moral e balas de borracha foram disparados contra os manifestantes. Pelo menos sete saíram da passeata detidos e dez, levemente feridos. Após o incidente, dois policiais militares foram afastados.

PARA LEMBRAR

Inspiração veio do exterior

A Marcha da Maconha teve origem em 2004, quando grupos começaram a se reunir anualmente no Rio de Janeiro para solicitar a descriminalização da droga, inspirados no movimento internacional Worldwide Marijuana March. O movimento foi se tornando conhecido e em 2007 ocorreu em âmbito nacional.

Desde então, manifestantes enfrentam obstáculos. A Justiça proibiu ano após ano as manifestações. Isso colaborou para que a violência estivesse presente em vários eventos. Em 21 de maio deste ano, confrontos ocorreram em São Paulo. Até o governador Geraldo Alckmin condenou o excesso de repressão policial na Avenida Paulista.

A reação à violência deu origem à Marcha da Liberdade, realizada no dia 28 com militantes de diferentes bandeiras, além de defensores da descriminalização da maconha.

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